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jugular

a dúvida

Mano já acima dos 50, IST, engenharia mecânica, carreira bem sucedida, direção técnica de multinacional que encerrou presença em Portugal, segue para UK em breve com respetivo cônjuge. Seu filho mais velho, Fac Ciências, mestrado em coisas esquisitas de mineralogia petrolífera ou lá o que raio é, convite para Abu Dabi, partida já anunciada. Filha com curso esquisitíssimo, IST, mestrado ainda mais bizarro na Alemanha, voltou mas está novamente de partida para breve. Outro filho também engenharia coisa esquizóide IST e quarto filho área de ciências Univ. Évora, na calha para zarpar no horizonte não há de tardar muito. Portugal é um país de quê, exatamente?

“Podia ser muitíssimo pior...", pelo Carlos Cortes

Foi assim que o Ministro da Saúde se referiu ao atual estado da Saúde.
Há afirmações que ofendem. De tão levianas, tão irrefletidas e tão desrespeitosas para com os doentes e os médicos.

No estudo do ISCTE, 60% dos médicos dos Cuidados de Saúde Primários e 40% dos médicos hospitalares referem constrangimentos por falta de material.
Mas... “Podia ser muitíssimo pior”.

47% dos médicos oncologistas e mais de 50% dos urologistas referem pressões para não prescreverem terapêuticas inovadoras.
Mas... “Podia ser muitíssimo pior”.

Quase 80% dos médicos internos consideram que a formação médica piorou e mais de 70% dos orientadores de formação referem já não disporem de tempo para formação.
Mas... “Podia ser muitíssimo pior”.

A volta de 60% dos inquiridos reconhece que o abandono das terapêuticos aumentou nos últimos anos (85% na MGF e 69% na Psiquiatria, 51% na Oncologia,..); 57,% refere que os doentes têm faltado mais às consultas.
Mas... “Podia ser muitíssimo pior”.

Os níveis de desmotivação, insatisfação e as dificuldades económicas têm aumentado na classe médica com situações dramáticas que todos conhecemos.
Mas... “Podia ser muitíssimo pior”.

Mas não, não podia ser muitíssimo pior! Podíamos estar numa situação muitíssimo melhor! Não fossem as decisões inábeis e o autismo do Ministério estarem a afetar o sistema de saúde.
Exige-se sempre mais dos mesmos! Mais esforços, mais mérito, mais sacrifícios, mais paciência, mais resiliência.
Mas quando se trata dos governantes não existe a mesma exigência. Para esses o "insuficiente" transforma-se milagrosamente em "muito bom".

As decisões que o Ministério tem tomado são desastrosas para a Saúde, para os Doentes e para os Profissionais. Todos os estudos independentes o tem comprovado.
Tiago Correia, o coordenador do estudo, da-nos conta de uma realidade que conhecemos muito bem porque lidamos com ela no nosso dia-a-dia no documento O SISTEMA DE SAÚDE PORTUGUÊS NO TEMPO DA TROIKA: A EXPERIÊNCIA DOS MÉDICOS.

Já faz parte da nossa cultura: perante a desgraça, achar que ainda temos muita sorte porque poderia ter corrido muito pior.
Vá... este Ministério da Saúde não tem estado à altura das suas responsabilidades mas “podia ser muitíssimo pior”. Podia???

Há coisas do arco da velha

O OE aprovado em 2010 (para 2011) previa, não sei se se lembram, uma diminuição do financiamento das turmas das escolas privadas com contratos de associação para os 80.000€. Caiu o carmo e a trindade, manifestações durante a campanha eleitoral presidencial, CDS e PSD a chamarem ministros (do governo PS) à AR, era o apocalipse. Durante toda a campanha das legislativas a coisa atingiu proporções épicas, pressão mediática, e não só, constante (repesco o lindo panfleto do colégio de Penafirme). Ele era aviões publicitários a passar por cima de manifestações, interrupções de eventos de campanha do PS, foi um forró sistemático.

Uma das primeiras medidas de Passos Coelho foi, aliás, voltar atrás na diminuição do financiamente, contrariando um dos pontos do Memorando que lhe serviu de desculpa para quase tudo nestes últimos 4 anos ("1.8. do memorando de entendimento: (...)reduzindo e racionalizando as transferências para escolas privadas com contratos de associação").

Por que razão me lembrei disto agora? Acabo de ler no DN que o valor por turma vai, no próximo ano, baixar para 80.500 e «Apesar de o valor ser baixo, dá- nos estabilidade e previsibilidade, porque todos os anos o valor tem sofrido cortes”, frisa o diretor executivo da AEEP."»... how funny, este senhor já desempenhava o mesmo cargo em 2010 e 2011 e nenhum dos jornais que pegou no tema (DN e JN que eu desse por isso) se lembrou de lhe perguntar como é que conciliava as declarações apocalípticas passadas com a bonomia atual

 

penavirme

(daqui)

para patti (e debbie e chrissie)

patti smith é, com chrissie hynde e debbie harry, um dos vértices do triunvirato que elegi, aos 13/14 anos, como meus role models. três raparigas em que a única coisa enganadoramente dócil é o diminutivo e nas quais discerni a atitude que queria também ter, construir, exibir: desafiadora, rebelde, iconoclasta, fast and furious mas também melancólica e auto-irónica, cheia de alma e de guts.

 

da feminilidade agressiva, punk rock'n'roll meets playboy bunny meets dance floor diva de blondie à androgenia pós-hippie de patti, passando pelo streetwise londrino all in leather e o sexy swing de chrissie, pareciam-me congregar todo o glamour e energia e woman power possível. três mulheres entre homens, sempre entre homens, nas capas dos discos e no panorama pop e num mundo em que era raro, raríssimo, ter mulheres a dirigir bandas, e que diziam que querendo podíamos ser -- seríamos -- o front da nossa vida, do nosso gig.

 

em patti, chrissie e debbie encontrei a minha tribo antes de conhecer, em carne e osso, alguém remotamente dela. estas 3 certificavam-me de que algures no mundo havia mais pessoas assim, como eu queria ser, e portanto provavelmente haveria mais como eu -- as miúdas que queriam ter um perfecto encarnado e olhos esborratados a negro como na capa do primeiro álbum dos pretenders, vestir um fato de homem como patti em horses e empoleirar-se numas chinelas de pau, vestido de alças e mãos nas ancas, como debbie em parallel lines. as miúdas que sabiam, queriam, que tudo era/fosse possível, enquanto trauteavam 'it's eleven fifty nine/and i want to stay alive', decoravam because the night do primeiro ao último acorde (ainda hoje o sei de trás para a frente), saltavam sozinhas no quarto na fúria catártica de rock'n'roll nigger e criavam coreografias para heart of glass e brass in pocket. we were special -- oh so special.

 

obrigada, minhas queridas. (e sim, devia estar hoje no porto, mas como não estou escrevi isto: é a minha forma de estar lá.)

quando for grande, quero ser...

1 de junho, Dia Mundial da Criança, Portalegre. É de pequenino que se aprende a malhar. Sai uma comenda no dia 10 para a mente brilhante que planeou isto, sff.

1_jun_Portalegre.jpg

 (colocada no FB do município de Portalegre, depois retirada - esta, mas estão lá outras, só com a "polícia" - mas replicada noutras páginas)

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