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jugular

é sempre lindo ver as mulheres tratadas como mentecaptas

Mas quem é que estes palhaços pensam que são para determinarem que eu, ou qualquer mulher, tem de ter aconselhamento psicológico obrigatório no período de reflexão pré IVG? Aliás, até a porcaria do período de reflexão me merece pouco respeito, quando uma mulher se dirige a um serviço de saúde para fazer um aborto já refletiu o que tinha a refletir.
Ah! E ter de gramar com psicólogos e assistentes sociais durante ao longo do período de reflexão também é maravilhoso. Esta gente precisa de tratamento, a sério. De apoio psicológico, vá. Não querem também instituir aconselhamento psicológico e social obrigatório antes de se engravidar? Afinal essa é que é uma decisão para a vida.

A ignorância constante deste PL é estonteante. As confusões entre consentimento informado e aconselhamento são de bradar aos céus. O consentimento informado não pressupõe conselhos. Conselhos, em domínios tão íntimos, pedem-se, se for caso disso, a gente que nos conhece e conhece a nossa vida. No limite, se uma mulher específica quiser tê-los de profissionais de saúde terá direito - e não obrigação! - a eles. E depois a cerejinha no topo do bolo, a objeção de consciência, ato de resgisto obrigatório na Ordem do Médicos e que é informação pública fundamental para gerir serviços de ginecologia e obstetrícia (qualquer serviço precisa saber quantos médicos objetores tem para se organizar), torna-se um ato de "caráter reservado"? Mas esta gente tem alguma noção do que propõe?

Com ou sem alopécia, de direita ou de esquerda

Uma fotografia de Laura Ferreira levantou celeuma. Não é a alopécia iatrogénica que me levanta qualquer questão, antes saber com que estatuto alguém que é cônjuge de um Primeiro Ministro do meu país integra a comitiva de uma visita oficial e já agora, tendo em conta esta tão importante medida de 2011, às expensas de quem. 

 

Nota: Está errado o JPC, o cancro nunca merece respeito, nunca. Eu não só o desrespeito como o desprezo. 

Da Europa e da Grécia

1- Desde o início da crise que se sabia que a situação da Grécia era insustentável, no sentido de não existir uma política com hipóteses de sucesso que não partisse de uma profunda reestruturação da dívida existente;

 
2 - andámos todos (Europa e os anteriores governos gregos) a tentar enganar toda a gente, adiando um problema que obviamente se tornaria cada vez maior;
 
3 - a destruição da economia grega (e aqui, lamento, são indiferentes considerações sobre a justiça dessa destruição face a opções passadas - como o aldrabar das contas públicas) teria, claro, consequências sobre a coesão social e o sistema político grego;
 
4 - isso foi, aliás, visível na ascensão ao poder do que costumamos chamar esquerda radical;
 
5 - a característica específica desta esquerda radical é que a teoria económica está do lado deles. Nem as depressões resolvem nada dos problemas da economia, nem criam qualquer dinâmica de crescimento a seguir. Não é como senão tivéssemos exemplos históricos suficientes sobre isto;
 
6 - tivemos portanto um governo grego eleito na premissa de que vai terminar com o programa de ajustamento e reestruturar a dívida grega, negociando com a Europa. E uma Europa que, claro, não admite perder a face relativamente a tudo o que defendeu - e não funcionou - nos últimos 5 anos;
 
7 - ainda que esta equação fosse quase impossível de resolver, é preciso dizer que as duas partes não se comportaram à altura. Estou longe de simpatizar com a retórica e atuação do Syriza, que não ajuda propriamente em nenhuma mesa de negociações. Mas culpo mais a Europa, que tem uma responsabilidade diferente - para além de ter errado depois de sistematicamente avisada, insistindo com os programas de austeridade expansionista em puro frontloading;
 
8 - o referendo é uma tremenda irresponsabilidade? Claro. Todas as imagens que nos chegam são de um país em colapso e, não menos importante, não se entende o que vai ser referendado ou as consequências do sim ou do não; é-me, de qualquer forma, claro que o Syriza não poderia assinar um acordo que vai frontalmente contra as razões por que foi eleito. 
 
9 - É esta a suprema ironia do comportamento das instituições europeias nos últimos anos: 1º advogam um desastre económico e social como única forma de salvação. Para logo depois, quando as eleições demonstram exatamente esse desmoronar da sociedade grega, quererem demonstrar, sejam quais for as consequências, que um governo de esquerda radical não conseguirá nem um pouco das suas propostas eleitorais; 
 
10 - o caminho a partir daqui parece-me ser entre o mau e o péssimo. A saída desordenada da Grécia do euro, via colapso do sistema financeiro, tem uma probabilidade elevada. Mas aconteça o que acontecer este é um golpe fundo na União Europeia. E não estamos, cada vez mais longe disso, numa altura em que estes golpes podem sarar e não correr o risco de infetar todo o corpo;
 
11 - no fim, ninguém sai bem disto. Cada parte apenas se enterra mais fundo nas respetivas trincheiras, tirando todo o espaço à capacidade de assumir que a Grécia está cada vez mais perto de ser um Estado falhado. E que construirmos uma Europa efetivamente unida não pode passar pelo reforço continuo aos discursos extremistas e nacionalistas, venham estes de que lado for do espetro ideológico. 

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