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está, parece, muita gente excitadíssima por miguel oliveira da silva, actual presidente do conselho de ética para as ciências da vida, ter dado uma entrevista ao público em que se diz alarmado com a subida do número dos abortos desde a legalização (ou seja, desde julho de 2007) e em que defende que as mulheres que abortam mais do que uma vez deveriam ser obrigadas a pagar os abortos. 'nós bem diziamos', diz gente como maria josé nogueira pinto (hoje no dn). como se miguel oliveira da silva, que defendeu o sim no referendo de 2007 e foi um dos médicos obstetras a mais pugnar pela alteração da lei anterior àquele referendo, tivesse mudado de ideias perante os acontecimentos. sucede que oliveira da silva diz o mesmo há muito -- como esta entrevista de 2005 ao dn, justamente intitulada 'deve haver um número limite de abortos por mulher', comprova (para não falar do seu livro que a suscitou, 'sete teses sobre o aborto').

 

mas na entrevista ao dn, ao contrário do que sucede na do público, coloca-se a questão de quantos abortos seriam permitidos -- e por quem, naturalmente (e com que critérios). e, já agora, o que deverá suceder a uma mulher que faça os tais três abortos por ano: ser obrigada a ter as crianças? ser empurrada para o circuito clandestino com o qual se quis acabar? presa? outra coisa qualquer? miguel oliveira da silva, pessoa que aliás muito aprecio, sai-se com esta resposta extraordinária: hipótese de laqueação de trompas compulsiva.

 

ora aqui está:

 

'se uma mulher for quatro vezes por ano a quatro consultas porque engravida quatro vezes involuntariamente, aí ou a mando para uma consulta psiquiátrica ou tenho de saber o que se passa.

Alguém que engravida quatro vezes num ano é uma maluca?

É pelo menos ignorante e irresponsável...

De acordo com a lei vigente, a decisão de aborto está inteiramente na mão dos médicos. Defende que, mesmo no quadro de uma nova lei, continuem a ser os médicos a decidir?

Tenho sérias questões a esse respeito para as quais não tenho respostas definitivas. E uma dessas questões é quantas interrupções de gravidez deve o Serviço Nacional de Saúde (SNS) custear a uma mesma mulher. É uma questão muito desagradável, mas acho que alguém tem de falar sobre ela.

Como se faria tal controlo e quantas IG seriam aceitáveis?

Teria de haver um cartão de utente - que não existe -, em que todos os actos médicos custeados pelo SNS ficariam registados... Quanto ao número de IG limite, não tenho resposta para isso.

Essa mulher que engravida xis vezes é para si uma louca/irresponsável. Será boa ideia obrigá-la a ter filhos?

Não, não. Mas, ginecologicamente falando, não sei se uma mulher que três anos consecutivos faz um aborto não deve ser obrigada a fazer uma laqueação de trompas.

Isso lembra a Alemanha nazi.

Não, não é a Alemanha nazi. Mas então ela que faça o aborto e não peça ao Serviço Nacional de Saúde que lho pague.'

 

vamos pois discutir este assunto à séria, bóra? e, já agora, de caminho, discutamos também laquear os testículos (ou lá como se diz) aos gajos co-responsáveis pelos abortos repetidos.

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