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É muito curioso que...

...Gertrude Himmelfarb só fale de três iluminismos (Francês, Americano e Britânico), pois isso revela não só uma leitura parcial e enviesada da tradição de pensamento político e filosófico, mas sobretudo todos os equívocos e distorções que a direita em geral exibe quando fala desses temas. O dualismo mundo anglo-saxónico vs. tradição continental francesa, em que os 'bons' são os empiristas moderados, cultores de uma abordagem céptica, conservadora e respeitadora dos limites da razão, e os 'maus' são os extravagantes dos franceses, com todos os seus excessos revolucionários que levam necessariamente ao Terror, são extremamente úteis quando queremos defender esquematizações simplistas do mundo em que vivemos. O que Himmelfarb (e o Henrique Raposo) esquece é o iluminismo do idealismo e do romantismo Alemão—que, pelo menos no início, tentou mediar entre os dois extremos, entre a revolução e o conservadorismo— que constitui o elemento fundador do pensamento crítico moderno, influenciando autores tão diversos como Schoppenhauer, Kierkgaard, Marx, Nietzsche e grande parte daqueles que no séc xx se dedicaram a estes temas. O dualismo defendido por Himmelfarb é falso porque é parcial, e é desonesto (suponho que ela não seja ignorante) porque empurra todos aqueles que não se identificam com a sua posição para um campo que não é necessariamente o seu. Se há algo que esta tradição (num sentido lato) fez foi questionar os dualismos que Himmelfarb pressupõe e que sustentam a sua posição. A diversidade dos autores que ela esquece não são mais do que o espelho da pobreza e distorção da superioridade (acrítica) da sua posição.

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