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A coragem das mulheres afegãs

Entre crescentes denúncias de fraudes e relatórios de violência, começou o apuramento dos votos das eleições legislativas realizadas ontem no Afeganistão. O presidente da Comissão Eleitoral, Fazad Manawi, qualificou as eleições como um «sucesso», apesar da violência que marcou a ida às urnas, das denúncias de fraude e da baixa participação (estimada em cerca de 40%). Opinião diferente tem a Fundação para Eleições Livres e Justas do Afeganistão que num comunicado emitido ontem à noite,  disse ter «sérias preocupações sobre a qualidade das eleições», e denunciou uma série de irregularidades. Segundo a Fefa, pelo menos 389 colégios eleitorais - de um total de 5 816 - registaram «incidentes sérios de violência», com explosões ou encerramento forçado decretado pelos insurgentes talibãs, que apelaram ao boicote do pleito. As preocupações da Fefa são partilhadas por Peter Galbraith, o ex-enviado da ONU para o Afeganistão, despedido por ter referido fraude eleitoral nas eleições que elegeram Karzai. Numa entrevista à al-Jazeera, Galbraith afirmou que as eleições foram «significativamente fraudulentas» o que, conjugado com a baixa adesão, faz com que estas eleições sejam  «dificilmente a voz do povo afegão».

 

Num país em que os direitos das mulheres são letra morta, a constituição estipula que pelo menos um quarto dos 249 assentos parlamentares sejam ocupados por mulheres. Dos cerca de 2500 candidatos, 16 por cento são mulheres, entre as quais Shukria Barakzai, jornalista e fervorosa activista pelos direitos das mulheres num dos países mais conservadores do mundo. Numa entrevista à al-Jazeera, Shukria explica o que é ser candidata no Afeganistão e explica como a violência sobre as mulheres que se atrevem a candidatar para um lugar na câmara baixa do parlamento aumentou nestas segundas eleições após a queda dos talibãs:

 

«The difference between last election and this election is that this election, women feel more fear.

Their campaigners are intimidated, they're receiving much threats via phone calls, via threat letters, and some of them, especially in Herat where I live - one candidate lost five of her campaigners. They were beheaded.

It's not only the way they are treating them … their children, their husbands are threatened because a member of their family is applying for parliament

 

Ameaças e medo não detêm as candidatas afegãs, determinadas em fazer destas eleições uma oportunidade para retirar ao Afeganistão o título de pior país do Mundo para se nascer mulher. Uma oportunidade ténue, que a complacência de Karzai com os fundamentalistas leva muitas outras afegãs a desconsiderar de todo. Mas uma oportunidade ainda assim que lhes dá coragem para lutar, contra todas as adversidades, para que o Afeganistão seja um estado de direito e não um estado governado pelos ditames dos anciães tribais, pela barbárie dos talibãs e pela misoginia do Conselho dos Ulemas. Um oportunidade para lutar por um futuro menos opressivo e abusivo para as mulheres afegãs.

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