fazer o pino jornalístico
assisti hoje no jornal da uma da sic a uma longa peça sobre o aumento do iva nos ginásios, de 6% para 23%. aguardei, cada vez mais pasma, que o jornalista, além de ouvir os clientes escandalizados e os proprietários e gerentes revoltados com o que consideram 'um ataque ao desporto e à saúde', se lembrasse de perguntar a uns e outros o que sucedeu com as mensalidades quando em 2008 o governo baixou a taxa de iva naquela actividade, precisamente em nome da saúde e do desporto, da mais alta (então, salvo erro, 21%) para a mais baixa -- então 5%. é que, e isso foi largamente noticiado e matéria para várias queixas e pelo menos uma condenação e até declarações de fúria governamental, muitos ginásios -- caso daquele onde estou inscrita, o holmes place -- não diminuiram um cêntimo à mensalidade, empochando calmamente a diferença a seu favor. recebi aliás na altura uma carta da gerência em resposta à minha reclamação em que se 'justificava' a atitude e, se a minha memória não falha (a carta há-de estar algures e eu hei-de encontrá-la), se certificava que caso houvesse novo aumento o preço não mexeria.
é claro que ninguém está livre de se enganar ou de, ao falar ou reportar sobre algo, meter o pé na poça. mas numa pesquisa do google com 'iva+ginásios' as notícias referentes à mexida do iva de 2008 aparecem entre as primeiras referências. a vontade de puxar ao miserabilismo, que aliás atravessa toda a informação neste momento, com peças intermináveis sobre a carestia da vida que vai chegar daqui a três meses (quando chegar, repetem-se as ideias e as perguntas e quiçá os entrevistados, qual o problema?), escusa de chegar a este ponto de falseamento da realidade e de objectivo branqueamento da atitude miserável dos ginásios. só quem baixou o preço 16% em 2008 pode ter moral para o aumentar 17% em 2010. é claro, não é? parece que não.

