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relatório sobre o relatório dos repórteres sem fronteiras

leio o relatório dos repórteres sem fronteiras sobre a liberdade de informação no mundo em 2010 e, vendo que portugal, apesar de ser considerado 'em situação satisfatória' (uf, estava a ver que não) caiu para 40º lugar, um abaixo da espanha e uns 9 acima da itália e frança, fui ver o questionário que dá origem ao ranking e a pontuação de cada pergunta.

 

ora não só concluo dessa análise que a tortura a jornalistas, o rapto ou desaparecimento, a detenção ilegal e a fuga de um país devido a ameaças valem 2 pontos cada (à excepção do rapto ou desaparecimento, que vale 3, como a morte de um jornalista em relação com o seu trabalho -- se forem mais a morrer, a pontuação sobe até um total de 10 para 5 ou mais), enquanto 'dificuldades sérias no acesso à informação pública ou oficial (como a recusa de funcionários de a providenciar, ou fazerem-no selectivamente, de acordo com a posição oficial do meio)' vale um ponto, o que me parece, francamente, um critério extraordinário, como fico pasma com a pontuação portuguesa (12,36) porque por mais voltas que dê à lista não consigo perceber como foi obtida.

 

vejamos: para além das tais sérias dificuldades no acesso a informação oficial ou pública -- uma constante em portugal, que infelizmente não vejo a melhorar substancialmente --, que vale o citado ponto, e a ameaça à diversidade nos media devido à existência de poucos donos (e que pode valer até 5 pontos), todas as outras possibilidades de pontuação advêm de perguntas cuja resposta afirmativa é no mínimo matéria de opinião ou mesmo de falseamento da realidade.

 

desde logo, a resposta à pergunta 'houve uso impróprio de multas ou acção legal contra jornalistas ou meios?', que sabemos, pela posição tomada pela organização em causa quanto às decisões judiciais sobre o jornal sol, ser afirmativa e portanto valer um ponto (o que nos leva a concluir que para os repórteres sem fronteiras todas as acções ou decisões judiciais contra jornalistas ou jornais parecem ser, objectivamente, impróprias e portanto ameaças à liberdade de informação). mas mesmo contando este, mais o outro e cinco pontos, vá -- o máximo -- pela ausência de diversidade nos media, ainda faltam 5,36 para fazer o score tuga. teremos pois de começar a apostar. e eu aposto que os repórteres sem fronteiras deram como provado (um ponto) que o governo ou as suas agências usaram a colocação de publicidade como forma de pressão (então se houve uma revista que assim jurou), assim como -- 2 pontos -- o take-over pelo governo de um meio privado, directamente ou através de firmas controladas pelo governo (independentemente de nenhum meio privado ter, que me recorde, mudado de mãos este ano, mas que é que isso interessa). ok, faltam 2,36 (estes 0,36 é que me matam). mais apostas: 'jornalistas empregados por media privados forçados a deixar de trabalhar por causa de pressões políticas ou ameaças' (um ponto) -- esta é de caras, hã? -- e, desespero já, 'auto-censura generalizada nos meios privados', que vai de zero a cinco: metemos aqui os dois que faltam. agradeço que alguém me explique de onde vêm os restantes 0,36, e, já agora, se souber onde se pode encontrar a pontuação detalhada de portugal (eu não encontro no site) e quem decide o que é verdade e o que não é, agradeço que diga. é que se a dificuldade no acesso à informação oficial e pública, no meu país como nos outros, me irrita solenemente, a dificuldade no acesso à forma como se recolhe e avalia a informação sobre a recolha e o acesso à informação no meu país não me agrada muito mais. sobretudo quando o que está em causa, até ver, são fontes anónimas. ou seja: se este relatório fosse uma notícia, era uma merda. mas não é que quem o noticia nunca reparou?

 

o que me leva à questão final: nada no questionário sobre regulação ou sobre a qualidade do jornalismo. mas isso é talvez pedir de mais.

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