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Acendamos velas de Sagan

«O cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. A mais insignificante contemplação do cosmos emociona-nos – provoca-nos um arrepio, embarga-nos a voz, causa-nos a sensação suave de uma recordação distante. Sabemos que nos estamos a aproximar do maior de todos os mistérios» (início do 1º capítulo, «As costas do oceano cósmico», do livro Cosmos, de Carl Sagan)

 

Amanhã, dia 9 de Novembro, Carl Sagan (1934-1996) faria 76 anos, ou antes, 76 voltas ao Sol. Embora este ano alguns tenham celebrado o dia de Sagan um pouco mais cedo, é amanhã que um pouco por todo o globo se recordará o fantástico comunicador de ciência que nos transmitia o seu maravilhamento com o Universo e nos incutia vontade de saber mais a respeito «de onde vimos e para onde vamos». No Cosmos, Sagan mostrou pela primeira vez a muitos milhões de pessoas em todo o mundo a nossa dimensão cósmica. Depois de Sagan e por causa de Sagan, o Universo mudou: o mundo tornou-se maior e todos nós ficámos, por isso, também maiores. Porque descobrimos, como Sagan nos explicou, que somos filhos das estrelas.

 

Mas para além de um grande divulgador de ciência, Sagan foi um educador preocupado com a proliferação das pseudociências a que dedicou «O Mundo Infestado de Demónios: a ciência vista como uma vela na escuridão». Sagan demonstra uma nítida preocupação com o espaço cada vez maior oferecido pelos meios de comunicação a explicações pseudo-científicas e místicas porque, como escreveu «as consequências do analfabetismo científico são muito mais perigosas na nossa época do que em qualquer outro período anterior, devido aos perigos potenciais dos avanços tecnológicos na vida quotidiana, quando mal utilizados». Como antídoto apresenta-nos o método científico e encoraja os leitores a pensar critica e cepticamente, construindo e racionalizando argumentos, válidos e inválidos, que precisam ser provados de forma independente, racional e lógica. Esta seria para Sagan a única forma de combater a ignorância e desfazer mitos, fraudes, superstições e crendices.

Num mundo cada vez mais assombrado pelos demónios da razão adormecida, desmontar todas as formas de pseudociência é a melhor forma de lhe prestar homenagem. Porque, como Sagan escreveu no seu manifesto contra as charlatanices pseudo-científicas, «É melhor acender uma vela do que maldizer a escuridão»

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