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Crenças do tempo da outra senhora

No debate do OE da semana passada, Ferreira Leite disse que não se podia ir ao BCE porque não havia lá dinheiro. Errado. Não sei se Ferreira Leite sabe - pelos vistos não sabe - mas, no sistema monetário em que vivemos, o 'dinheiro' não é um recurso escasso. Escassos são os recursos reais que o dinheiro pode comprar, não o dinheiro propriamente dito. Há quem defenda o padrão ouro, mas, para o bem ou para o mal, não vivemos nesse sistema, pelo que não faz qualquer sentido pensar em termos de pressupostos que não se verificam.

 

O que Ferreira Leite deveria ter dito é que o 'não haver dinheiro' é uma opção política, não uma restrição financeira ou económica. A única 'restrição' que o BCE enfrenta é aquela que está associada a um risco de inflação que pode resultar da expansão do seu balanço. Em certas circunstâncias é um risco real, é certo, mas não é o único que importa quando discutimos estas matérias.

 

Se Ferreira Leite quisesse discutir a sério o que está em causa, devia ter dito: considero que, no contexto actual, o desemprego (não apenas em Portugal, mas em toda a Europa) é um risco menor do que a inflação. E isto é um juízo político, não técnico como alguns economistas insistem.

 

Tendo em conta que o desemprego atingiu 10,1% na Zona euro (o mais alto desde a criação do euro) e que a inflação (devidamente expurgada daqueles bens que têm uma elevada volatilidade e que, por isso, não deviam entrar nestes cálculos)  é, hoje, um risco bem menor do que a deflação, o juízo de Ferreira Leite é, no mínimo, discutível.

 

'Quem manda é quem paga' diz Ferreira Leite, não se apercebendo que o BCE é uma criação político-institucional, cujas decisões - ou falta delas - deviam fazer parte de qualquer discussão que se pretenda democrática.

 

É sempre a política, estúpido! A nossa tragédia (e a da Europa) é que a política que (devia) importa(r) se encontra bloqueada. Bloqueada por uma arquitectura institucional da zona euro obsoleta e, sobretudo, por uma manifesta falta de visão e grandeza dos principais líderes europeus, que andam a brincar à democracia sem que percebam o que está em causa. A economia, por muito que os seus principais representantes o neguem, é sempre - ou devia ser - Economia Política.

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