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Weak leaks

Quem tenha tentado infrutiferamente entrar no site wikileaks.org poderá ter pensado que o mesmo estava apenas temporariamente em baixo. Mas não, o domínio foi descontinuado, supostamente porque os ataques que sofria eram tão poderosos que punham em risco os restantes clientes da EveryDNS.net, a empresa que fornecia o domínio à wikileaks. A página foi transferida para um novo domínio, na Europa, wikileaks.ch, por enquanto ainda redireccionado para o endereço numérico.

 

Não creio que tenham sido as fugas de informação diplomática que tenham despoletado a coisa ou a proposta emenda à lei da espionagem. De facto, Washington sabia o que iria acontecer muito antes de o escândalo rebentar e, para grande indignação de muitos, nada foi feito para deter aquele a quem Obama chama o «incómodo público». Nem me parece que o escândalo vá perturbar por aí além a diplomacia internacional, por mais que os media se esforcem por transformar num tsunami uma ondulação que acalmará sem grandes estragos.

 

Na realidade, boa parte da informação são cusquices que nunca deveriam ter sido publicadas e informações irrelevantes - como, p.e., a surpresa americana com a prevista eleição de Ratzinger -, e a verdadeira bomba revelou-se cheia de pólvora seca, ou antes, não rebentou devido ao já conhecido enviesamento de confirmação: quer a hostilidade árabe em relação ao Irão quer os documentos classificados sobre a realidade do Médio Oriente têm sido amplamente rejeitados e ignorados no mundo árabe.

 

Já os potenciais alvos da próxima e anunciada fuga de informação devem ter ficado francamente mais preocupados. Numa entrevista à Forbes, publicada na segunda-feira, Julian Assange informou que iria libertar milhares de documentos internos de um grande banco dos EUA. Assange não identificou o banco pelo nome nem especificou que tipo de malfeitorias terá cometido,  apenas revelou que os documentos que a WikiLeaks obteve quando disponibilizados poderão causar um colapso tipo Enron na instituição financeira. De acordo com Assange, os documentos de que dispõe irão fornecer «uma visão verdadeira e representativa» do comportamento do banco em causa e que esta visão irá desencadear investigações e apelos à reforma do sistema financeiro. Na conjuntura actual, diria que essa informação causará mais estragos que as revelações sobre o botox do Kadhafi, as ressacas de Berlusconi ou a má educação de Sarkozy que tanto têm entretido os media internacionais.

 

PS: Rui, a acusação que pesa sobre Assange não é, nem de perto nem de longe, de violação mas sim de «sex by surprise», o que quer que isso seja, e que aparentemente tem a ver com relutância em usar preservativos ou com preservativos rasgados em relações consensuais com duas fãs suecas. Ou seja, o tal mandado internacional da Interpol refere-se a um «crime» que tem como punição máxima uma multa de 500 euros.

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