Deixem-me dizer bem de parte da justiça portuguesa
Acabei de chegar da primeira sessão de um julgamento por roubo/bullying ao meu filho mais novo, à saída da escola, há mais de um ano. Se é verdade que o tempo de espera não abona muito em favor da Justiça, tenho que confessar que no meio de todo este processo - doloroso e traumático para o miúdo, com 10 anos na altura do acontecimento - fiquei muito agradavelmente surpreendida com a sensibilidade demonstrada quer pelos polícias que receberam a minha queixa inicial (não desvalorizando o trauma do miúdo pelo valor ínfimo do roubo), quer pelo que ficou responsável pela investigação(um modelo de sensibilidade e compreensão) quer pelo cuidado que hoje tiveram, juiz e delegado do ministério público, na forma de o abordar e inquirir. Durante este tempo muitas vezes me questionei se tinha tomado a decisão certa ao apresentar a queixa, afinal, e como disse antes, o valor das coisas roubadas era insignificante e, mais importante que isso, de cada vez que éramos chamados a depor (na polícia ou, como hoje, no Tribunal) o meu filho ficava muito tenso, amedrontado com a possível confrontação com quem o tinha agredido. Teria sido mais fácil, é verdade, olhar para o acontecimento como um percalço "normal" na conquista da "independência". Logo de início decidimos em família o que fazer. Depois da decisão tomada o puto ter-se-à arrependido muitas vezes dela, por medo de represálias e eu, naturalmente, preocupei-me mas, no fim de tudo isto, estou convicta de que fizemos o que devíamos porque se há coisa que me chatearia era que meia dúzia de malandrecos tivessem ficado com a impressão que poderiam fazer o que lhes dá na bolha, saindo sempre impunes. De um apertão, pelo menos e no fundo era só isso que me interessava, não se livraram.

