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Verdades de algibeira

Anda para aí muito boa gente que acha que os bancos centrais determinam a oferta de moeda. E é por isso que se diaboliza o financiamento monetário do défice, uma vez que tal levaria a um aumento da oferta de moeda, com efeitos imediatos no nível de preços. A versão light desta história invoca a ilusão monetária para explicar desvios de curto prazo, mas, no longo prazo, esse efeito nos preços é incontornável. Também há a versão ad terrorem desta historieta, que envolve hiperinflação, Weimar e Zimbabwe. Que isto assente numa falácia e num total desconhecimento de como funcionam os sistemas monetários modernos é, aparentemente, irrelevante. E assim se constrói uma (falsa) Verdade económica.

 

Um dos problemas desta história é que a oferta de moeda é determinada endogenamente. Como é suposto os bancos centrais assegurarem a estabilidade e o funcionamento do sistema financeiro, os primeiros estão sempre disponíveis para criar a base monetária necessária para acomodar o volume de crédito que os segundos querem conceder. Ou seja, não é a base monetária que determina a oferta de moeda; é exactamente o contrário: para uma dada taxa de juro, a procura de crédito determina a oferta de moeda, e esta determina a base monetária que, a cada momento, o banco central se vê obrigado a criar. E o banco central não enfrenta qualquer restrição financeira: cria sempre todo o 'dinheiro' necessário para acomodar os desejos do sector privado. O dinheiro não é um recurso escasso. Se a procura de crédito gera inflação é algo que não se pode determinar sem olhar para o resto da economia. Como em tudo na economia: a ameaça de inflação depende do contexto, não de qualquer lei ou verdade económica intemporal.

 

Por tudo isto, não é possível afirmar que a monetarização dos défices públicos gera inflação sem se atender ao comportamento do sector privado. Se, como acontece actualmente, o sector privado estiver em retracção (redução do volume de crédito concedido) é perfeitamente possível que o financiamento monetário de défices públicos seja compatível com uma redução da oferta monetária global, quebrando o nexo entre o financiamento monetário dos défices e a inflação que a ortodoxia económica assume como sendo uma verdade incontestável.

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