We shall undercome
O que se passa no Wisconsin mostra como certa direita decidiu aproveitar a crise para ajustar contas com o século XX. O Governador Walker, apoiado pelo movimento Tea party, fez aquilo em que os republicanos se especializaram nos últimos trinta anos: criar uma crise orçamental através de cortes de impostos, reduzindo a progressividade do sistema fiscal; resolver o problema cortando na despesa, sobretudo salários de funcionários públicos. Enfim, uma política redistributiva que inverte o que é suposto acontecer numa democracia. Perante a necessidade de reduzir o défice, os sindicatos aceitaram prescindir de 6% do salário para financiar o seu plano de pensões e duplicar as contribuições para o seguro de saúde. Walker rejeitou a proposta - não porque considere a proposta insuficiente, mas porque recusa a negociação. O seu objectivo é acabar com os direitos de negociação colectiva, porque o poder excessivo dos sindicatos, diz ele, constitui uma ameaça para a sustentabilidade financeira do Estado. Tendo em conta as origens do problema orçamental e as cedências dos sindicatos, parece-me evidente que a única ameaça para as finanças do Estado são as políticas do próprio Governador. Uma ameaça para as finanças e para a democracia.

