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jugular

e se outro, de repente

sou amiga do eduardo e antes de ser amiga lia-o no da literatura. gostava do que lia, mesmo quando não concordava -- e lembro-me de que, há uns anos, até chegámos a pegar-nos mais ou menos a sério, a propósito do aborto. o da literatura é um dos poucos blogues que continuo a ler diariamente (cada vez leio menos blogues, se calhar o defeito é meu mas parecem-me andar muito desinteressantes).

 

gosto da escrita do eduardo e gosto da maneira como pensa. encontrei-o tal qual o conhecia do blogue e da fala na prosa (cidade proibida, viagem a veneza, persona). surpreendeu-me, no entanto, outro eduardo na poesia. um eduardo contido até à depuração essencial, acerado, brutal numa dureza frígida, do gelo que fica depois de tudo arder. um eduardo japonês, tão distinto do eduardo volátil, boémio, rendilhado, às vezes deliciosamente barroco -- o eduardo que por umas calças demasiado justas arriscou ir parar a um campo de reeducação -- dos dias e das noites.

 

este eduardo, cujos poemas são como lápides.

 

nenhum de nós passeia impune

pelos retratos: fazem-nos doer

os recessos da memória

 

deles saltam, por vezes, sustos,

primeiras noites, secreta

loucura, lábios que foram.

 

interditam-nos sempre.

trepam-nos pelo torpor

mais desprevenido, subsistem.

 

a sua perenidade é volátil

e cheia de venenosos ardis.

um sopro no acetato.

 

distintos, os seus contornos

não são nunca

os que supomos.

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