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jugular

Re: Miguel Botelho Moniz

Miguel,

 

1- Não sei donde retiraste a ideia de que eu o considerava que a entidade emissora de moeda é ou deve ser omnisciente. Mas o facto de me imputares essa afirmação diz muito sobre o modo como tu olhas para a economia e, por implicação, como julgas as posições dos outros. Como tu achas que a actividade de um banco central perverte o funcionamento de uma realidade ideal a que chamas mercado livre, interpretas a minha posição como se eu defendesse o inverso. Mas eu limito-me a defender a necessidade da existência de um banco central, o que é uma coisa totalmente diferente de dizer que a sua actuação é sempre correcta ou ideal. Podemos discutir se um banco central é, de facto, necessário. Mas isso é outra conversa;

 

2- Ao contrário dos monetaristas, não considero que a política monetária seja uma questão técnica passível de determinação objectiva. Eu digo outra coisa: para além de ser necessária, a política monetária é, como toda a política, falível. Isto só constitui uma limitação para quem tem a divindade como referência. Para quem sabe estar condenado a realidades terrenas, a política monetária é, a cada momento e de acordo com as regras e as práticas que estruturam a sua actividade, aquilo que os seus responsáveis consideram adequado. Como todos os juízos de natureza política, o just right é contestável e contém uma dimensão incontornável de descricionariedade. É por tudo isto que defendo que a actuação de um banco central deve estar sujeita a mecanismos de controlo democrático;

 

3 - As tuas três alternativas pressupõem que a moeda tem apenas efeitos nominais, nunca efeitos reais. Eu considero isto totalmente inadequado para abordar o funcionamento de uma economia moderna. A moeda só tem um papel fundamental na história do capitalismo porque não se limitou a ser um instrumento que facilita trocas não monetárias entre agentes;

 

4 - A moeda não tem de ter um valor intrinseco para ter valor. Uma moeda tem valor pelas funções que desempenha, não por representar, em si mesma, e independentemente dessa relação funcional, uma forma de valor. Já agora, surpreende-me que um subjectivista (os austríacos são subjectivista, certo?) considere que algo passível de ter valor intrinseco. Parece-me uma contradição, mas enfim.

 

5 - Para finalizar, não percebo em que medida é que esses gráficos constituem um argumento contra a minha afirmação de que não há uma relação causal entre expansão monetária e inflação. O simples facto de ser possível arranjar gráficos que dizem coisas diferentes desses (o Krugman tem publicado vários) só reforça o meu ponto, isto é, que a relação, mesmo quando existe, é contingente, não necessária. Já agora, convém dizer que uma política monetária expansionista não tem de implicar um crescimento do M2, pela simples razão que o banco central, por si só, não determina a oferta monetária.

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