Solução governativa
Parece-me razoável presumir-se que os eleitores que decidiram a votação de ontem - cerca de 10% dos que compareceram nas urnas - valorizaram mais a probabilidade de uma solução governativa estável do que os programas partidários em confronto.
Faz sentido.
Para quê dar a maioria ao PS se, isolado à direita à esquerda, ele não teria condições para governar? Se dúvidas houvesse, o último ano e meio comprovou que uma maioria socialista, necessariamente relativa, equivaleria a um défice de capacidade governativa inaceitável num momento crítico para o país.
Votar no PSD, em alternativa, garantiria praticamente um executivo apoiado numa maioria absoluta. Nas atuais circunstâncias, terão muitos pensado, é isso que interessa, tanto mais que a atuação do governo estará à partida muito condicionada pelo acordo assinado com a UE, o BCE e o FMI.
Repito: faz sentido.

