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o ministro-pedagogo (mas dos bons)

Nuno Crato fez ao fim da manhã, na Assembleia da República, o melhor discurso da bancada do governo, até agora, neste debate do Programa de Governo. No tom e na forma, Crato soube usar a sua experiência de divulgador científico. Esteve bem, respondeu às perguntas, disse ao que vinha e o que podíamos esperar do seu mandato. 

 

Mas Crato mostrou mais. O momento em que estava realmente entusiasmado foi a propósito dos conteúdos programáticos e do uso da calculadora. Ficamos todos à espera de ver Assunção Cristas dizer-nos o que pensa sobre máquinas debulhadoras e regadios ou Paulo Macedo explicar-nos os detalhes e o protocolo de uma qualquer cirurgia. 

 

Fala-nos Nuno Crato de independência da estrutura responsável pelos exames em Portugal face ao ministério da educação e, portanto, ao seu ministro. Mas aqui vemos, Nuno Crato, Ministro da Educação,  no debate do Programa de Governo, a decidir sobre o que deve e o que não deve ser ensinado, sobre como deve ser ensinado. 

 

Fala-nos Nuno Crato da estrutura pesada do Ministério da Educação que se acha dono das escolas e da educação em Portugal; um monstro a implodir, confirmou. Mas aqui vemos Nuno Crato, Ministro da Educação, a querer impor do alto da bancada do governo o que deve ser ensinado e como deve ser ensinado.

 

Resta saber se ficaremos pela matemática, ou se também sobre os programas de história, filosofia, biologia e afins teremos de aguardar pelas orientações do Ministro da Educação (as que eram excessivas, quando não eram dele).

 

 

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