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E entretanto na Irlanda

No dia 13 de Julho foi divulgado mais um relatório sobre abuso sexual de menores na Irlanda, leia-se por padres, o relatório Cloyne . Em mais uma investigação sem a prometida colaboração da Igreja, foi descoberto o óbvio: contrariamente ao que prometeu e ao que o Estado irlandês obriga pelo menos desde os relatórios Ryan e  Murphy,  este último a revelar o abuso endémico de menores em instituições católicas, o Vaticano continuou a encorajar os seus bispos a encobrir os casos de abuso sexual de menores, tão recentemente como há 3 anos.

 

A única coisa que mudou nesta história foi a reacção dos responsáveis políticos: neste vídeo vemos algo absolutamente inédito que retrata  bem o que pensa a maioria da população. Enda Kenny, o PM irlandês, quebrou o ciclo de submissão total da classe política irlandesa à ICAR num discurso memorável* no parlamento e exigiu que o Vaticano se pronunciasse em relação ao relatório.

 

Enquanto se aguarda  resposta oficial do Vaticano, que já transferiu para Praga o núncio papal, um porta-voz da Santa Sé, o padre Ciro Benedettini, manifestou «surpresa e desapontamento» pelas reacções que classificou «excessivas»  enquanto outros dignitários afirmaram que os «ataques» ao Vaticano não passavam de cortinas de fumo para desviar as atenções da crise. 

 

Um padre irlandês foi mais longe e, num artigo intitulado  “Heil Herr Kenny”, desdobrou-se em falácias ad nazium  para explicar que criticar o Vaticano é o primeiro passo para o descalabro total e para a destruição da Irlanda como a conhecemos. Enfim, o argumentário habitual de todos os totalitários fundamentalistas. Felizmente que a esmagadora maioria dos paroquianos reagiu com repulsa aos desvarios do senhor mas, eventualmente, em algum pode ter ficado a ideia de que de facto o PM, o seu partido, e os «atheist ayatollahs of the Labour Party», estão empenhados em impingir as suas «nihilistic formulas» nas novas gerações, o que arrastará a Irlanda para o abismo. E, se se mantiver este tipo de reacções verbais à expectável perda de influência política da ICAR, o fim do regime teocrático na Irlanda pode muito bem ser acompanhado de outro tipo de reacções. É mais que tempo de todos os dignitários religiosos perceberem que nada de bom resulta do apelo ao ódio e que este tipo de acusações pode ter consequências...

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