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jugular

a apartheidsfera

Tenho seguido com curiosidade e algum interesse a novela venezuelana a que já chamaram de "Figueiragate" (epíteto disparatado e, diga-se, injusto). Não tanto pelo assunto em si mas, como ocorre em tantas ocasiões, por aquilo que revelou e vai revelando. Já passou a fase do embaraço e das justificações mais ou menos atabalhoadas e patetas com que os camaradas do blogue onde escreve se apressaram a emitir. Já passou a altura disso e de outras reações, umas bem-humoradas, outras, aparentemente, bem menos (há quem confunda rir com arreganhar dentes, é um facto). Já passamos à fase do rescaldo, do diz que disse e do azedume. Não estou a falar de questões pessoais ou profissionais, mas de política. A mais hilariante envolve auto-atestados de autenticidade "de esquerda". A verdadeira, a falsa, a vertebrada, a escorregadia, a permanente ou a sazonal. O mais recente capítulo da saga (e comentários anexos) é um verdadeiro salmo de azia e perdigotos reivindicativos sobre quem é que é verdadeiramente o "presidente da junta". Mas há também aspetos um pouco mais perturbantes. Um deles é a forma como estes novos avatares da limpieza de sangre disparam mutuamente tartes de nata azeda ao facies do "traidor" invocando... as companhias, os alinhamentos, as sintonias com outros blogs. Lembrei-me do post que a Fernanda escreveu há dias, sobre a sua própria experiência na blogosfera. A minha perceção é um pouco distinta: a blogosfera passou de espaço de liberdade e de expressão a espaço de desconfiança, lepra, repugnância e discriminação. Há os puros e os impuros, os brâmanes e os intocáveis. E depois os verdadeiros e comprovados "presidentes de junta", muitos, todos eles. Este blog de onde vos escrevo (a todos os que me queiram ler) é formado por kaffirs, está manchado de forma indelével até à 4ª geração. Não sei se é cor de pele, sangue, ascendência, estatuto blogosférico ou qualquer outra forma de pedigree. O senhor que escreve o dito post diz que se sentiu "insultado" por o seu blog, certamente formado pela fina-flor da elite boer, ter sido colocado "a par" deste e de um outro. O seu oponente, entre duas sacolas de bílis, apresenta provas irrefutáveis da veracidade de tal alegação escandalosa. Por mim, estejam à vontade para reclamarem a pureza de raça blogosférica que quiserem, que sempre gostei de cães rafeiros e de gente mestiça.

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