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Outro monstro de relance

Em cada relatório da OCDE para que olho, pelo menos uma "realidade" nacional que é propagada (e propagandeada) aos 4 ventos é desmistificada. Depois de a Mariana nos ter explicado que «Portugal gasta menos em saúde do que a média da OCDE» e que «Portugal apresenta melhores indicadores de qualidade e tem menos despesa per capita que a média da OCDE», uma inspecção do Health at a Glance indica que Portugal, em 2008, era o país do euro (e o 4º em toda a OCDE) onde os cidadãos mais custearam directamente, em percentagem, as despesas de saúde. Nesse ano, pagámos quase 30% dos gastos totais com saúde, uma percentagem não só acima das médias da OCDE e da zona euro, para os países em que há dados, como muito acima daquela que a Organização Mundial de Saúde recomenda.

 

De facto, no relatório divulgado o ano passado, a OMS recomenda que este valor não supere os 15% a 20% da despesa total com saúde. De acordo com a OMS, as despesas directas com cuidados de saúde levam, todos os anos, 100 milhões de pessoas abaixo do limiar da pobreza. Numa altura em que todos os dias mais barro vai sendo lançado à parede sobre os aumentos dos contributos "directos" da população para combater o défice, é curioso que a OMS diga que "o objectivo a longo prazo deve ser reduzir o nível de pagamentos directos abaixo de 15% a 20% da despesa total em saúde", embora reconheça que isso não é fácil, uma vez que aumentar os custos directos para o doente é "uma opção atraente em períodos de recessão económica". Atraente e fácil, diria, em particular para quem não sabe melhor.

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