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the madeira files

uma semana na madeira, uma reportagem por dia. publicadas no dn papel e com acesso pago no e-paper, não estão on line. uma delas, publicada no sábado 8, é sobre o jornalismo na ilha.

 

uma guerra com almoços e jantares

 

Que jornalismo se faz na região cujo presidente chama “bastardos” e “inimigos da Madeira” aos jornalistas, enquanto tem um jornal gratuito a expensas do governo?

 

“É banal aqui o maltratar dos jornalistas. Exemplos? Quando estava na Antena 1 da RDP fiz uma peça em que usei a expressão ‘cortar fitas’ a propósito de inaugurações. O presidente do governo não gostou e na inauguração a seguir, ao discursar, disse que eu tinha problemas que toda a Madeira conhecia’. E já aconteceu, noutras vezes, ele fazer nos discursos considerações sobre mim, comigo ali presente. O pior é que estas situações se tornam banais e normais.” Mário Gouveia, 47 anos, é desde 1997 correspondente da TVI. A recente altercação entre Jardim e Marta Caires, do DN-Madeira, na qual o primeiro quis expulsr a jornalista de um local, ameaçando chamar a polícia e apelidando-a de comunista, é para Mário mais um episódio recorrente: “Aquilo já me aconteceu, mas não dei importância. Como já me aconteceu ele dizer que não falava comigo.” Até já sucedeu, lembra-se de repente, “ele empurrar-me”. “Num Carnaval em que o Alberto João estava a desfilar perguntei a um segurança se podia falar com o presidente e ele disse que não. Mas Jardim chamou-me e respondeu às perguntas. Quando me ia embora disse ao segurança que tinha sido mais papista que o papa e Jardim não percebeu o que eu estava a dizer, achou que estava a pegar-me com o segurança e meteu-me na barriga os pauzinhos do tambor que trazia, aos gritos ‘Desaparece daqui, desaparece daqui’. Imagina, isto com toda a gente a olhar. Que havia eu de fazer?” Suspira. “Temos de viver com isto. Se eu levasse estas coisas a peito se calhar tinha de desistir de ser jornalista.”

 

Há no entanto quem, como Virgílio Nóbrega, 42 anos, chefe de informação da RTP Madeira, não veja “muita diferença entre fazer jornalismo aqui em qualquer parte do país. Pressões politicas sofremos quase todos. A situação é exactamente igual à do resto do país.” Acaba no entanto por admitir não conhecer noutro lugar casos como os descritos pelo seu colega da TVI, ou como o de um jornalista do DN-Madeira que viu “ser verbalmente agredido este Verão por Jaime Ramos, secretário-geral do PSD-M, e expulso de uma conferência de imprensa”. Talvez, concede, “a agressão aqui seja mais directa, mais pessoalizada. Mas também se falou muito de pressões sobre a comunicação social por parte do anterior governo nacional.”

 

Director do DN-Madeira desde Maio de 2010, Ricardo Oliveira, 45 anos, ri. “Choca-me que no continente tenha havido a indignação e a repercussão que houve a propósito de suposições, de ‘alegados que’, de hipóteses de ‘pressões’ e de ‘tentativas de controlo’, quando aqui há factos provados e não se vê, por parte da imprensa nacional, a mesma acutilância e denúncia. Há uma relativização ignóbil.” E que, a existir, passa também por organizações que avaliam da liberdade de informar em todos os países do mundo, como os Repórteres sem Fronteiras: apesar de fazerem referência a episódios nacionais de alegado condicionamento de jornalistas, nunca mencionam a Madeira nos seus relatórios.

 

“Estado de sítio” é como, num artigo de opinião no Público de ontem, Oliveira qualifica a situação do jornalismo madeirense. E fala, no que ao DN-M respeita, de “atentados medonhos”. O mais grave, do seu ponto de vista, é a concorrência desleal protagonizada pelo Jornal da Madeira, integralmente pago pelo governo – “Custa quatro milhões de euros/ano e tem um passivo de 40 milhões” -- e distribuído gratuitamente. “Em nome do alegado pluralismo, o objectivo é matar o DN. A Entidade Reguladora da Comunicação Social e a Autoridade da Concorrência já fizeram recomendações sobre isto, mas não serviu de nada. Estamos agora a combater juridicamente nas instâncias europeias.” Outro exemplo, de Junho, é o da ordem que, garante, colunistas do DN-M, altos militantes e dirigentes do PSD-M, como Guilherme Silva, Miguel Sousa e outros, receberam de Jardim para deixarem de escrever. “Os próprios mandaram-me mails a dizer que foi decisão da comissão política.” A isso junta “as queixas que fazem sistematicamente contra nós. Ultimamente contei 19 queixas de tratamento jornalístico discriminatório, por parte do PSD-M”. A Comissão Nacional de Eleições deu esta semana provimento a uma delas, indicando três notícias e dois artigos de opinião do DN-M como não conformes às exigências de pluralismo e isenção. A decisão vinha ontem na primeira página do JM, cuja opinião é ferrenha do PSD-M e cujas notícias principais, durante a campanha, disseram sempre respeito a discursos e tomadas de posição de Jardim, do governo e do PSD-M, com artigos supostamente jornalísticos a usar expressões como “os inimigos da Madeira” -- sem aspas. (O director do JM, Henrique Correia, declinou falar com o DN).

 

Transpor a situação do DN-M para um grande meio nacional corresponderia, acha Oliveira, a “um grande atentado à democracia”. Virgílio Nóbrega concorda que “estas situações deviam ter mais repercussões. E deveria haver outra atitude da comunicação social madeirense no sentido de se solidarizar sempre que um colega é expulso ou insultado.” Já Mário Gouveia, alertando para os exageros, vê-se como repórter de guerra. “Não me vitimizo, como faz o presidente do governo. E acho que o DN-M se vitimiza um bocadinho, e o JM também. Pessoaliza-se tudo muito. Tudo aqui roda à volta do Alberto João, e se calhar também é culpa nossa, por causa da importância que lhe damos. Mas, sim, isto é uma guerra constante. Num dia há tiros, no outro há só uma troca de palavras, e no outro se calhar almoçamos ou jantamos juntos. É uma ilha. Se corres muito cais à água.”

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