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É o BCE, estúpido!

Menos de uma semana depois de mais uma cimeira europeia supostamente histórica, os spreads da Itália e da Espanha continuam sob pressão. O entusiasmo dos mercados por sucessivas não-soluções dura cada vez menos tempo, porque estes - ao contrário dos líderes europeus - parecem já ter percebido que a resposta europeia à chamada crise das dívidas soberanas assenta num equívoco e que não haverá cimeira que nos valha enquanto os líderes europeus não estiverem dispostos a reconhecer uma coisa muito simples: não há qualquer crise das dívidas soberanas; há (e sempre houve), isso sim, uma crise sistémica da actual arquitectura institucional da moeda única, porque, entre outras coisas, não existem dívidas soberanas na zona euro. A estratégia de contenção da actual dinâmica de contágio tem falhado e vai continuar a falhar - e vai levar à implosão da moeda única - enquanto não se perceber que aquilo que torna o problema europeu diferente de todos os outros é o facto de todas as dívidas públicas da zona euro terem deixado de ser dívidas soberanas. Se os líderes europeus percebessem isto, facilmente chegariam à conclusão que não é possível travar o risco de contágio enquanto a responsabilidade de garantir não soberanos estiver a cargo de outros não soberanos. O FEEF podia funcionar se o problema fosse apenas o de 3 pequenos países. Mas a partir do momento em que se o risco de insolvência se alastra a outros países, não faz sentido conter esta dinâmica apresentando como garantia a solvabilidade daqueles países em que os mercados (ainda) acreditam, porque isso, paradoxalmente, acaba por ampliar o risco que se pretende conter. Como é óbvio, esta loucura vai levar a que os mercados, de forma sucessiva, ponham em causa a solvabilidade de todos os Estados da zona euro. É preciso reconhecer, quanto antes, que a estrutura de garantias do FEEF se limita a transferir riscos, nunca os reduz. Posto isto, só o BCE é capaz de acalmar os mercados de forma sustentável e credível, porque o BCE é o único soberano que resta à zona euro. Só o BCE pode, de forma credível, garantir o pagamento de todas as dívidas, porque só o BCE tem aquele poder que nenhum Estado tem: o poder de honrar todos os compromissos monetários em euros e, por isso, o poder de anular todo e qualquer risco de insolvência. Isto implica uma profunda revisão dos tratados? Pois bem, reveja-se os tratados. Ou isso ou o euro acaba.

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