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O nosso futuro é o passado

Como avalia a desvalorização interna que o Governo português está a pôr em curso?

É uma estratégia de alto risco. É verdade que Portugal tem de conseguir uma desvalorização interna, mas vocês terão de aplicar medidas tão duras, que conduzirão a uma recessão profunda. Os mercados podem não vos dar o tempo de que precisam. Estão muito nervosos, e poderão colocar-vos mais e mais pressão. Pode acontecer que as coisas ainda piorem, como aconteceu na Grécia, exigindo mais e mais austeridade que torne uma crise gerível numa crise insolúvel.

Entrevista de Paul de Grauwe ao Negócios

 

Para os mais desatentos, a estratégia de desvalorização interna é aquilo que Passos Coelho diz ser a via do desenvolvimento via empobrecimento e que Vítor Gaspar, 'tecnicamente', caracteriza de transformação estrutural da economia portuguesa. Abandonado game changer da TSU, este governo achou que o melhor caminho para a competitividade nacional era mesmo a redução brutal dos salários. Trinta anos depois da Europa ter sido vendida aos portugueses como via de desenvolvimento, eis que a dupla Passos e Gaspar propõem que o país reconheça que essa ilusão chegou ao fim e que o nosso futuro é o passado: Portugal só será capaz de se afirmar economicamente se for mais barato. Que isto esteja em contradição com todas as ideias de coesão económica e que contrarie todas as políticas europeias dos últimos anos, em particular a agenda 20 20, é, pelos vistos, coisa pouco importante. Mas esta estratégia não é apenas anti-europeia, é, sobretudo quando aplicada mais de 30% da economia europeia, contraproducente. Não se afigura possível que a Europa enverede por uma estratégia que passe pelo empobrecimento dos chamados periféricos e pela compressão da procura interna e que obrigue a Europa a sair da crise imitando a Alemanha. Se assim fosse, a Europa estaria a impôr ao resto do mundo os custos da sua própria incompetência, obrigando a China a reduzir o seu excedente comercial e/ou os EUA a aumentar os seus défices externos. Como a Europa não pode exportar para Marte, a deflação europeia arrisca-se a lançar o mundo numa recessão.

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