back to silly season
Recordo uma velha conversa de juventude com um familiar meu que teimava em afirmar que uma certa discoteca na zona Centro, dizia, "é considerada a melhor do país", ao que eu respondia, repetidamente, "considerada por quem? por ti e quem mais?", e esta alternância divertia-me tanto quanto o irritava a ele. A estratégia, já se sabe, é velha e básica: apontar para terceiros, alegadamente imparciais mas mais ou menos indefinidos, a chancela de sancionar as nossas próprias opiniões e interesses. Todos nós pisamos o risco informalmente uma vez ou outra, quando estamos numa conversa mais animada. Qualquer político o faz quando fala dos "portugueses" ou do "país". E as empresas, evidentemente, também. E quanto maior, mais descarada é a estratégia, e risível o resultado. Que o Continente diga que tem os preços mais baixos, pague a atores e atrizes para venderem o peixe do Belmiro com pseudo-feiras da agricultura ou alimentação saudável, ainda vá que não vá. Agora que falem de um "estudo independente" para vencer a concorrência, assim a seco, cheira um bocadinho a descaramento a mais. Não é esticar um bocadinho demais a corda do barrete pró povinho? Ao menos podiam fingir que tinham feito um estudo e pago para ser "independente" (desde que o resultado, como é óbvio, dissesse que o Continente "é o mais barato").


