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Hoje sou eu, amanhã és tu



Quem está vivo, sempre aparece. Ora viva a greve e esta em particular, a greve geral do dia 24 de Novembro. De facto, a greve não é filha de um Deus menor a necessitar de “sindicância” com números fiéis, amigos caninos, que existem como existem. Se a questão se esgotasse no descobrir o Wally na verdade verdadeira desta iniciativa, ora, ora talvez fosse do interesse nacional a criação de um fantástico protocolo, muito, mas mesmo muito aplicável, com manual de instruções em português, claro, e já agora aprovado de livre e espontânea vontade por todas as partes porque, é bom não esquecer, no caso dos trabalhadores do sector público, o governo e o patrão acumulam funções no mais perfeito sincronismo. 

 

Ao que interessa: o que antecede a greve é o que a justifica: o reconhecimento pelos próprios sindicatos de que toda a argumentação e iniciativas falharam. E é desta falha, da perda que se tem de compreender o ganho. O ritmo desvairado das mudanças a que assistimos exige que o passo se adapte à dança. Se antes tudo falhou, a responsabilidade tanto pode ser dos sindicatos que não foram suficientemente persuasivos, ou de quem está do lado de lá da trincheira (é este o cenário que evoca violência porque disto mesmo se trata) que encena uma espécie de diálogo social quando já tudo foi decidido. Se falar em política do facto consumado não estou a doirar esta pílula tramada. Os tempos não estão para prosas sem soluções. Rima com corações? Sobretudo com esta lista de razões: • o governo tem a maioria absoluta e a ninguém escapa a política do quero, posso e mando (obrigada Carvalho da Silva por esta expressão que não está gasta); • a situação de emergência nacional justifica todos os meios para atingir um bom fim? Sim. Quem duvida que é neste ponto que estamos, que estes são os dias que vivemos?; • a enxurrada de medidas emergentes, socialmente devastadoras têm baralhado qualquer processo negocial, ainda que do lado dos sindicatos existam especialistas; • a gravidade das rígidas soluções apresentadas pelo governo é impeditiva, ou antes, visa a impossibilidade; • o elo sindical enfraquece e apenas pode responder com a última das armas. E voltar a responder. E...

 

Em 37 anos de democracia quantas greves gerais foram convocadas? Responde the weakest link: 6. Onde paira então o abuso do uso, o dá cá aquela palha, fabulosa expressão a necessitar de demonstração por quem dela se serviu e para quê? Com que fim? Que formas de luta legais existem para além da greve com tudo o que se sabe sobre a greve? (descontar o trava-língua, por favor) São perguntas cuja resposta interessa mais do que composição fabulosa.

Também na perspectiva do governo, este não seria o melhor momento para formas universais de luta. Pudera. Como vos compreendo, Correia, Relvas & Passos. Quem duvida que, neste momento, a “equidade” (ele há palavras tão feias de dizer em voz alta ou baixa, tanto faz) vai atingir o sector público com a mais extraordinária conquista social que há décadas lhe tem sido negada: a virtude do vício do privado: poder ser despedido.

 

Breve: o que determina a diferença entre o sucesso do orgasmo e a pobreza da pífia ejaculação precoce, ou seja, os números, não nos atira para terreno minado? Claro que sim. São alhos e bugalhos a emergir das diferenças entre quem decreta e mobiliza para a greve e os que desmobilizam, coagem, ameçam, condicionam, de forma mais ou menos visível, esse mesmo direito. Sindicar por sindicar? Sindique-se também a liberdade de expressão, conforme muito bem lembrou Pacheco Pereira no mais recente Quadratura do Círculo. Por mim, troco a fábula pela história do atento Pedro, na floresta dos sons, com o lobo à espreita e cujo final simbolicamente nos indica que o caminho é feito a andar. Com a coragem que o momento exige.

 

 

ps. nem de propósito, dou pela data de 25 de Novembro, no vimeo em que os estivadores do porto de Lisboa e Aveiro (caso único e exemplar de trabalhadores do sector privado, sindicalizados a 100% e que vivem a sua vida sindical sem integrar alguma das duas centrais sindicais portuguesas) são protagonistas e a quem agradeço a disponibilidade. Este "erro" marcou a luta para o dia em que escrevo e, no fundo, para todos os que se lhe seguirem. Tal é a necessidade que aguça o engenho do ladino inconsciente.

 

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