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jugular

YGP, Young Guinea Pigs

Facto: em 2006 havia 24 mil jovens com apoio ao arrendamento de casa; com as "reformas" introduzidas (neste país, quando se quer cortar orçamentos a 50%, diz-se que são "reformas"), o volume de candidaturas aceites este ano desceu para 3500. Ou seja, 14,5 % do anterior número. Houve coro de protestos e denúncia de várias incongruências, sendo uma das principais o tecto máximo das rendas (340 euros, na Grande Lisboa, para um T1 ou T0, é de morrer a rir). O Conselho de Ministros acaba de reconhecer a barraca e introduzir várias alterações ao Porta 65, nome pomposo e vagamente surrealista do programa de apoio ao arrendamento jovem (eu, em mood surreal propunha Stargate, em mood neo-realista acharia por bem baptizá-lo de No Olho da Rua). Ninguém sabe bem que alterações serão essas. Os jovens candidatos aguardam, expectantes, de trouxa às costas, o que o futuro lhes trará, mas ficam certamente agradecidos por terem sido úteis aos testes de implementação de políticas sociais.

Provoca-me um sorrisozinho agridoce (mais agri que doce, reconheço) ver a forma experimental como as autoridades lidam com estas situações, como se os jovens fossem uma espécie de guinea pigs que vão sendo testados e utilizados para "testes sociais". Como há muitos, e desempregados, e à rasca, nunca falta mão-de-obra no laboratório. Forçada ou voluntária. Um misto de ambas, por paradoxal que pareça. Experiência A, ora vamos lá a ver como é que a gandulagem reage a um programa de apoio às rendas. Experimenta-se. Há resultados. Depois o Tribunal de Contas faz sérias críticas ao programa e verifica-se que se gastou mais de 62 milhões de euros. Hmmm. Experiência B, vamos apertar a malha, toca de puxar o laço aos guinnys.  Está tudo a sufocar? Então pegue-se em mais uns quantos ratos de laboratório, perdão, jovens, e vamos à Experiência C, corrigindo alguma coisa e dando mais oxigénio, enfim, a ver se desta vez a coisa corre melhor. Eu, apesar de não ser jovem e, portanto, não sofrer na pele os efeitos destes testes sociais, até que poderia, enfim, conceder algum benefício da dúvida e mostrar algum alívio pela notícia. Afinal, reconhecer e corrigir erros é algo sempre bem-vindo. E um responsável reconhecer que o programa falhou e que teve que ser reformulado seria um sinal de humildade ("democrática" ou não) de honestidade e de clareza. Mas verifico que não. Não houve nenhum erro, nenhuma falha. Segundo o ministro do Ambiente, Nunes Correia, que só sabemos que existe quando profere disparates, nada disso se passou. Falhar, pensava eu na minha ingenuidade natural, era não atingir os objectivos traçados. O programa falhou, vamos fazer outro, com objectivos diferentes. Enganei-me. Falhar deve ser outra coisa, quiçá, quem sabe, who knows, fazer malabarismos de linguagem. No entender do ministro, "falhanço era não corrigir e não fazer ajustamentos depois de ter a informação actualizada". Ao que o ministro chama falhanço, chamaria eu estupidez. E já que se trata de malabarismos linguísticos, posso, portanto, sugerir que foi apenas "meter água". E, desta vez, não poderá dizer que a responsabilidade é das autarquias.

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