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Maranhos XXI

Vamos inundar Espanha de maranhos! Aproveitar as trapalhadas do Mariano "Hillitos" Rajoy e as dificuldades da banca espanhola e dar-lhes a sério! Seria uma proposta ousada que, se houvesse coragem e visão governamental, combateria o desemprego jovem, equilibraria o défice, garantiria o sucesso da Seleção e substituiria a curto prazo as insípidas tapas. Maranhos de onde? E Espanha porquê? eu respondo: maranhos típicos de Cernache do Bonjardim, terra natal de D. Nuno Álvares Pereira, autor maior de Aljubarrota, que garantiu a independência nacional. Porque não inspirarmo-nos nos bons exemplos da nossa História para sair da crise?

A esta hora há-de estar alguém a pensar coisas risíveis e pouco abonatórias a meu respeito. E eu respondo, uma vez mais: ora abóbora! se a História e os Descobrimentos servem de inspirações patetas para tudo e um par de botas, vamos fazer non sense, mas com estilo e originalidade. Se o deputado Carlos Zorrinho, depois de incursões literárias sobre D. Juan, acaba de produzir uma prosa inspirada em forma de equação de segundo grau «Vasco da Gama + nascido em Sines = "É tempo de colocarmos o nosso homem na Lua. De mandarmos de novo Vasco da Gama à Índia. De aproveitar Sines como âncora de um novo projeto de futuro"», porque não aproveitar a onda, ainda que com tudo metido assim a modos que à marretada? Afinal, o deputado, no seu texto visionário, afirma que "no século XV travou-se uma luta brutal pelo predomínio nas rotas de comércio com o Oriente" e eu não percebo bem que luta foi essa, nem o que quer dizer "predomínio nas rotas", e muito menos o século XV, a menos que por tal entenda os 3 aninhos entre 1498 e 1500. E também não estou muito bem a ver o que teve o Vasco da Gama e a sua viagem a ver com "as caravanas" que "chegavam pelo deserto, carregadas de riquezas para as cidades hanseáticas do centro da Europa" (ah! percebi, é uma piscadela de olho à Merkel). Mas nada disso importa, é um mero comic relief para falar dos desafios do presente e dos chineses que querem, aparentemente, reativar de novo a Rota da Seda, ou seja, "uma linha de alta velocidade que a ligue diretamente ao Norte da Europa". E perante isto, Portugal não pode ficar de braços cruzados: pelos vistos, não nos falta nem financiamento, nem recursos, nem know-how para dar uma réplica à altura. O resto não importa: "mais que não seja em homenagem a Vasco da Gama e a todos os bravos marinheiros de antanho, temos que estar à altura da nova oportunidade". Aqui, confesso, também não percebi onde está a "nova oportunidade". Sines era em Trás-os-Montes e foi agora transplantado para a costa, talvez?

A minha sugestão é bem mais modesta e provinciana, admito, nada que se compare à sua "oportunidade de mudar o sentido da história", que "está de novo ao alcance duma visão ousada e lúcida". Mas eu não tenho culpa de ser saloio e de vistas curtas (e por isso nunca chegarei a líder parlamentar de um partido). Ainda assim, atrevo-me já a adiantar outras sugestões: promover a indústria de dobradiças em Lagos (terra natal de Gil Eanes, que dobrou o Bojador), criar um cluster de produção de bisturis em Estarreja (terra natal do Prémio Nobel Egas Moniz) ou desenvolver um centro para delinquentes juvenis em Guimarães (terra onde nasceu D. Afonso Henriques, que se revoltou contra a mãe). Mas para já, maranhos. Maranhos XXI. Quem alinha no petisco?

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