Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

jugular

Realidades complexas, lições simples

O que aconteceu ontem a partir do Parlamento creio poder ser dividido em dois grandes momentos, que, infelizmente, têm para mim leituras muitos diferentes e que obrigam a saber distinguir realidades e sermos capazes de fixar juízos, porventura contraditórios, mas dos quais devemos procurar retirar lições coerentes.

 

O que sucedeu em frente ao Parlamento causa-me inúmeras perplexidades. Pergunto-me como podem manifestantes estar durante uma hora e meia a observar umas quantas pessoas a apedrejar polícias que estavam a uns metros de si, para além de todos os demais actos de vandalismo, sem que exista uma reacção de fundo que procure parar aquela cena. Ou, na constatação da sua impossibilidade, pergunto-me como não pensaram os manifestantes que não era seguro permanecer no local. Não usarão os agressores as manifestações pacíficas como escudos e fenómenos de martirização? Como resolver isto, tendo em conta que se misturam com os manifestantes pacíficos e é complicado descobrir deliquentes pelo aspecto no meio da confusão?

 

Tendo em conta que o que parece ter acontecido - só o Ministro o poderá confirmar - foi uma ordem para acabar com a violência em frente à AR, dispersando os manifestantes, esperar-se-ia que a carga policial servisse para isso e apenas para isso. E, nessa medida, tendo em conta que estamos a falar de um cenário de violência, o que se espera é que a violência seja a mínima possível e é ilusório esperar que não exista violência (claro que podemos perguntar por medidas alternativas. Chamar ainda mais reforços para tentar a detenção selectiva dos agressores sem por em perigo os polícias? Canhões de água? Gás lacrimogéneo?).

 

Dito isto, durante o dia de hoje, chegaram-me relatos de amigos advogados que, tentando chegar ao contacto com manifestantes detidos, seus representados, foram impedidos, gozados, ou simplesmente ignorados por vários elementos da hierarquia policial. Num dos casos, o manifestante detido estava a fugir pela Av. Dom Carlos I abaixo, não tendo praticado qualquer acto violento, quando foi apanhado e agredido por sete (7) polícias. 

 

Tão depressa compreendo uma carga policial ao fim de uma hora e meia de violência destinada a recuperar uma zona que tinha sido ilicitamente ocupada e tornada em paiol de munições para atacar a polícia, como fico incapaz de compreeder o que leva polícias a perseguir pessoas indiscriminadamente, para lá da zona a recuperar e da violência a parar - para reestabelecer a ordem pública - e a brutalizá-las. E o que, na calma de uma esquadra, leva a deliberadas violações de direitos elementares.

 

Preocupa-me muito - desculpem o vício de formação - a irrelevância que alguns direitos básicos adquirem nas esquadras portuguesas onde são transformados em motivo de chacota, como se estivéssemos num país sem lei.

 

Embora estejamos perante realidades complexas, entre o largo de fronte ao Parlamento e as ruas afluentes e esquadras de Lisboa, a lição parece, infelizmente, ser simples: a actuação policial continua a dever muito - demais - ao Estado de Direito. E esta é a dívida mais urgente a pagar.

 

36 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Arquivo

Isabel Moreira

Ana Vidigal
Irene Pimentel
Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Fazem me rir

    So em Portugal para condenarem um artista por uma ...

  • Anónimo

    Gostava que parasses de ter opinião pública porque...

  • Anónimo

    Inadmissível a mensagem do vídeo. Retrocedeu na hi...

  • Anónimo

    "adolescentes e pré-adolescentes pouco dados à int...

  • Anónimo

    apos moderaçao do meu comentario reitero

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

blogs

media