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A beata de Toy

Há dois dias, na TVI, depois de mais uma bela interpretação desse grande hino que é o "sou português", ouvi o inefável Toy dizer algo como isto: "desde o Tratado de Tordesilhas que Portugal é, como Espanha, um dos maiores países do mundo". Confesso que na altura não percebi bem se ele se referia ao tamanho do país, do orgulho nacional, da alma lusa ou da selecção de futebol. Hoje, finalmente, fez-se luz: falava da raça portuguesa.

E de onde me veio a iluminação? De um post de Nuno Lobo sobre o 10 de Junho. Mais precisamente, sobre a célebre expressão relembrada por Cavaco Silva e as reacções (oh que espanto) do PCP e do BE, em nome da democracia. "Democracia que significa aqui, para o PCP e o BE, a promoção do multiculturalismo, a ideia de que todas as culturas são igualmente dignas de admiração, a promoção do relativismo preguiçoso e irresponsável que acaba em nada". Fiquei esclarecido: as diferentes culturas humanas não são portanto igualmente dignas de admiração. Há umas mais dignas do que outras, e a nossa é evidentemente a mais digna de ser admirada, pelos vistos, pelas restantes. Depois, explica: ainda bem que Cavaco falou do "dia da raça", entendida como "a celebração dos portugueses com raça" (ahh, isso quer dizer que há portugueses que não têm o tal pedigree), "dos portugueses capazes da grandeza própria dos grandes povos". Aqui, confesso, fiquei ligeiramente confuso. Então sempre há outros povos grandes? Um deslize multiculturalista, concluo. Mas está perdoado, pronto. No fim de contas, talvez fosse um pouco exagerado dizer assim de caras que os portugueses são o único grande povo do planeta.

E que portugueses puro-sangue serão esses? Os exemplos são, afinal, decepcionantes. Em primeiro lugar, o Infante D. Henrique e a sua famigerada Escola de Sagres. Compara-a com a NASA actual, mas nunca existiu. Triste balanço, portanto, opôr à agência espacial uma inexistência histórica. Aproveito para dizer ao ilustre blogger que o retrato do "homem do chapeirão" é, possivelmente, do seu irmão D. Duarte. E depois, o Poeta Camões. Ohh Camões, sempre Camões. E que mérito teve Camões, segundo Nuno Lobo? Vai buscar Montesquieu para concluir que escreveu uma epopeia que se assemelha à Odisseia e à Eneida, coisa que, bom, salta um bocado à vista sem ser preciso ir consultar o De l'esprit des lois. Pobre Luís, pára lá de dar voltas na tumba, o cavalheiro quase que te chamou de plagiador mas não foi por mal. Ah! ainda tem outro mérito: foi "um grande poeta, capaz de cantar as glórias de um grande povo". Ora, cada cultura tem os seus bardos e os seus poetas, que cantam as respectivas glórias. Camões é o nosso. Não entendo bem qual é o espanto.

A raça portuguesa não se esgotará, pensei, aqui. Porém, constatei, com grande mágoa, que o blogger acaba por frustrar as expectativas e por ceder às tentações multiculturalistas. E porquê? porque esperava que definisse e exemplificasse de modo profícuo a raça. Em vez disso, avança para "os grandes homens e as grandes mulheres da história humana", cujo exemplo deverá guiar as nossas crianças e jovens, contrariando, portanto, o PCP e o BE que "permanecem empenhados em continuar a nivelar as crianças portuguesas a um denominador comum, a fazer da educação dos portugueses uma aventura sem destino". E que personagens-guia serão esses? Decepção. Esperava Vasco da Gama, Eça de Queiroz ou a Padeira de Aljubarrota, saíram-me um grego, um alemão e uma albanesa. Não percebi o que terão os três a ver com a raça portuguesa que faz, afinal, o título do post. Conclusão, "o 10 de Junho poderia e deveria ser o dia da raça dos grandes homens e grandes mulheres da história humana".

No rescaldo, ficou-me uma dúvida: para que quererão e porque precisarão os homens e as mulheres da história humana, grandes ou menos grandes, da raça?

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