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Ensino da Economia

José António Machado, diretor da faculdade de economia da Nova, dá hoje uma entrevista ao Expresso que me serve de pretexto para repescar alguns textos publicados nos últimos anos sobre o ensino da economia em Portugal.  A primeira leitura que aconselho é a do relatório para a FCT sobre ciências sociais e humanidades, publicado em 2011, em que se pode ler, e cito (o bold é meu):

 

A questão do pluralismo nas ciências sociais e humanidades pode-se pôr, pelo menos, em relação a dois domínios: o pluralismo dos temas de investigação e o pluralismo de paradigmas e de  metodologias de análise(...)No que se refere ao pluralismo de paradigmas e de metodologias, a situação é distinta. Toda a ciência tem a sua visão mainstream e as ciências sociais e humanidades não são excepção. No entanto, por vezes, o poder da visão mainstream torna-se de tal forma dominante que pode levar a uma redução significativa do pluralismo, ao estiolar das ideias inovadoras e ao bloqueio da emergência de novos paradigmas, emergência que é essencial para o progresso científico. O caso mais visível desta redução do pluralismo será talvez o da Economia. Situação que é agravada pelo facto desta ser uma ciência social que tem, necessariamente, uma componente política muito forte, pelo que as opções políticas interferem com os critérios científicos e não são de menor importância na competição entre paradigmas. Esta característica impõe uma atenção redobrada a este caso, uma vez que a ausência de pluralismo na ciência económica não resulta directamente, longe disso, da maior capacidade explicativa da visão mainstream. No caso da Economia tem-se mesmo popularizado um termo, “o pensamento único”, para traduzir o afunilamento e ausência de pluralismo que tem afectado nas últimas três décadas a investigação nesta área científica, com consequências negativas evidentes sobre o respectivo progresso (pp. 12/13)

 

De 2008 trago o texto de João Ferreira do Amaral, Manuel Branco, Sandro Mendonça, Carlos Pimenta e José Reis surgido no Público, "A ciência económica vai nua?", de que realço um excerto 

 

É das escolas de Economia e Gestão de todo mundo, sobretudo dos Estados Unidos, que tem saído uma boa parte dos operadores dos mercados financeiros e gestores de topo que lentamente acumularam decisões insustentáveis culminando na actual crise. Esta crise é, também por isso, um colapso teórico, uma falência de um modo de ver. A má teoria é, evidentemente, um elemento central da crise.

 

E agoro volto ao princípio: o que justificou que a entrevista do diretor da Nova provocasse o "clic" para ir ao baú? A recente disponibilização no site do Le Monde Diplomatique de um texto que, estranhamente, foi muito pouco discutido em Portugal. Chama-se "Em Portugal: a universidade do consenso" (teve publicação em edições do Le Monde de vários países). Começa assim:

 

Em relação a Atenas, qual é a vantagem de Lisboa? O seu «consenso político e social», garantiu recentemente o director do secretariado português do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta «harmonia», porém, espelha mais a incrível endogamia das elites locais, (quase) todas formadas na mesma universidade, do que a concordância popular com as políticas de austeridade impostas pelo «salvamento» do país.


Este post não serve para afirmar que as opiniões expressas por todos estes autores têm validade inquestionável ou sejam verdades absolutas (de pensamentos únicos já estamos servidos, obrigada)  mas tão somente para manifestar a minha estranheza por um tema - ensino da economia - tão importante seja completamente ignorado ou subvalorizado nas discussões no espaço público. 

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