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jugular

a conferência onde aquilo que se diz não se escreve

o primeiro ministro sonhou, sofia galvão organizou, a conferência nasceu.

 

e nasceu como uma conferência aberta à comunicação social onde é proibido filmar ou gravar (será que fotografar se pode?) e onde os jornalistas só podem, diz a organizadora, citar com 'expressa autorização dos participantes'. ou seja: onde aquilo que se diz não se escreve.

 

sim, é gira a ironia. sucede que ou a conferência sucedia à porta fechada ou sendo aberta a jornalistas é impensável que ocorra a alguém, e mais ainda ao governo (que, imagine-se, nos quer convencer que não organizou a conferência), dizer como é que estes fazem o seu trabalho, e se podem ou não citar pessoas numa sessão para a qual foram convidados.

 

perante isto, como a shyz já anotou, vários jornalistas/meios abandonaram a conferência, explicando, em comunicado, porquê. percebo-os. acho no entanto que melhor seria ficar. e fazerem o seu trabalho, de acordo com as regras da profissão e da lei -- e que a exigência da organização claramente infringe (alguém terá perguntado a sofia galvão com que autoridade está investida para dizer a jornalistas como devem trabalhar? será que já foi imposto o estado de sítio e ninguém nos avisou?). e já agora colocando algumas questões: quem além de sofia galvão organizou a conferência; quem pagou os materiais e os refrescos; quem pagou ou a que título (e a quem) foi cedida a sala do palácio foz, que é propriedade pública; o que pensam os participantes, alguns deles com obrigação de conhecer a lei, como o constitucionalista gomes canotilho, outros presidindo a órgãos do estado, como o presidente do tribunal de contas, sobre a tentativa de impedir a liberdade de informação numa conferência que é suposta suceder 'por iniciativa da sociedade civil' e para 'debater o estado português'.

 

é que ou a conferência é um workshop para o governo ouvir umas pessoas, e então não faz sentido ser aberta, ou é uma discussão pública, para ser publicitada através dos media, e aí quem decide o que escolhe publicitar e como são os jornalistas.

 

também é divertido que tudo isto se passe no mesmo edifício onde funciona a comissão da carteira de jornalista. e a ninguém surpreenderá que um governo que se está lixando para a constituição se lixe para a lei de imprensa: nem deve saber o que tal seja (aliás, nisso não estará sozinho -- se calhar muitos jornalistas, e até direcções de meios, também a desconhecem).

 

o estado a que chegámos, chamava-se, incrivelmente, o painel da manhã. pois: escusava de ser tão apropriado.

 

em adenda, o justíssimo comunicado do sindicato de jornalistas

 

outra adenda: pedro pita barros, um dos participantes, cita, em defesa da atitude da organizadora, as regras de chatham house. sucede que segundo essas regras, que aliás são só uma e que existe para que as pessoas possam exprimir a sua opinião própria sem vincular as estruturas de que façam parte, é suposto que não se saiba para fora, sequer, quem está na reunião. e como é não só fácil perceber da descrição da dita regra como surgirá evidente a quem saiba o que é jornalismo, não se aplicam a jornalistas nem a sessões públicas.

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