der zegalha ist tot
Há dois anos enfrentei-a. Assim, olhos nos olhos. Agora, será pela crise, talvez pela idade, quem sabe, já não me assusta, nem dei por ela. Para mim morreu. Desta vez não fiz contas a portagens nem a horas, a dinheiro ganho ou a tempo gasto. Antes de Grândola fugi-lhe pela N 120 e acabei já perto de Bensafrim, quase meio Portugal mais abaixo. E da mesma forma como virei as costas à autoestrada, deparei com o país real das estradas nacionais e itinerários complementares: vias que começam bem mas cujo fim se adivinha poucos quilómetros adiante, indicações pouco claras e informações confusas para quem deixou o mapa em casa (e que julgava já não ser necessário), obras sinalizadas mas inexistentes, melhorias adiadas. Sines é uma terra simpática. Tem um festival de "Músicas do Mundo" a decorrer, que eu desconhecia. Foi lá que me garantiram que a estrada era ótima até "lá abaixo". Nem tanto, nem tanto, desconte-se a boa vontade de quem queria causar boa impressão. Junto ao Cercal do Alentejo há uma terra chamada Pouca Farinha e, mais adiante, uma enigmática Portas do Transval. Só com um "a", valha-nos isso. De cada vez que escolho itinerários destes para fugir à maldita, lembro-me sempre do Cars e da agonia das terras devido às autoestradas que as atravessam. Por cá ficou célebre o óbito de Canal Caveira quando a A2 ficou completa. Ainda me lembro das peças jornalísticas que cobriam os desabafos dos donos dos restaurantes arruinados. Valeu-lhes a crise ou, quem sabe, N. Srª de Fátima por invocação a fortiori do primeiro magistrado da nação. Não tardaremos muito a voltar ao glorioso Portugal das longas viagens Lisboa-Porto pela EN 1 com paragem em Venda das Raparigas. Não importa agora. Importa, sim, que já estou perante o que mostro acima. Demorou, é verdade, mas foi. Essa é que é essa.


