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jugular

porquê?

Querem matar o Colégio Militar, dizem eles, lúgubres e pungentes. Os spots televisivos, da associação dos ex-alunos, não esclarecem que morte será essa. Trata-se da decisão governamental de integrar na mesma escola quer os alunos (só rapazes) dos Pupilos do Exército* quer as alunas do Instituto de Odivelas, tudo colégios internos do Ministério da Defesa. Uma medida apresentada pelo Governo como de "racionalização" e pela secretária de Estado Berta Cabral como de "promoção da igualdade de género". E atacada, por exemplo, pela ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, que considera a integração de meninas e raparigas como o "desfigurar do modelo pedagógico" e de "uma tradição de séculos".

 

Sim, lê-se e não se acredita: o PSD feminista e o PS ultramontano. No meio desta troca surreal de cadeiras, porém, somos distraídos do essencial. Que já nem é questionar o sentido e a utilidade pública, na era do serviço militar voluntário e profissional, de um "ensino militar" estatal do segundo ciclo e secundário (agora também com primeiro ciclo) em que alegadamente se eliminam candidatos com "provas físicas e psicológicas" e de onde até agora as portadoras de vagina estavam excluídas, malgrado haver mulheres nas Forças Armadas há mais de 20 anos. Não, o essencial é mesmo perguntar qual a justificação para manter uma escola em que cada aluno custa, de acordo com o noticiado, 12 mil euros anuais, ou seja, o triplo do preço médio de um estudante das restantes escolas estatais e que, criada na monarquia para os rebentos das elites do exército, funciona hoje como colégio privado do qual quase ninguém sai para a "carreira militar" e onde a maioria dos matriculados são "filhos de civis" (no ano letivo de 2010/2011, em 372 alunos, 210 eram-no). Civis esses que, de acordo com o site, pagam, para o segundo ciclo e o secundário, 681 euros de mensalidade (e, segundo informações recolhidas informalmente, 450 para o primeiro ciclo externo, iniciado este ano - com o invejável horário das nove às 19). Isto num estabelecimento que tinha em 2011 um rácio de cinco alunos/professor e 247 funcionários, assim como "piscina coberta, pista de atletismo, campo de futebol de 11 relvado, pista para aeromodelismo, tanques para remo, sala de esgrima, picadeiro (coberto e descoberto) e cavalariças" - tudo incluído na mensalidade-base.

 

Antes um colégio de casta, agora um colégio de luxo para umas centenas de "escolhidos" pago pelos impostos de todos. Um híbrido escandaloso, um "cheque-ensino" clandestino - com a irónica particularidade de se constituir em concorrência desleal ao ensino privado. Qual igualdade de género, qual conquista feminina, qual carapuça: mesmo com raparigas, o Colégio Militar é a desonra dos valores essenciais da república portuguesa, um atentado à razão, um insulto à escola pública. A pergunta a fazer não é porque é que o querem matar, é porque é que ainda existe.

 

(publicado sexta, 20 de setembro, no dn)

 

*ao contrário do que escrevi, a escola dos pupilos do exército já aceitava raparigas e, aparentemente, apesar de ser uma das opções do relatório marçal grilo (encomendado pelo governo), até por se tratar dos três estabelecimentos aquele com menor número de alunos e com custo mais elevado por aluno, não irá ser encerrada. posso pois acrescentar ao meu texto que a irracionalidade se agrava: em vez de um colégio de 'ensino militar', o governo decidiu manter dois. por outro lado, se o 'ensino militar' nos pupilos já era misto, a interdição de raparigas no cm surgia como ainda mais -- se possível -- absurda. 

 

** é possível também que o valor do custo para o estado por aluno mencionado neste texto, e recolhido em notícias publicadas, esteja errado. de acordo com fontes oficiais, é ainda superior. voltarei ao assunto.

9 comentários

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    f. 22.09.2013

    não é para ricos? não sei se são ricos ou remediados, jorge cid. e não é essa a questão. a questão é q se trata de 1 estabelecimento, aliás, dois, que funcionam como colégios privados de luxo com o dinheiro dos impostos de todos. não tenho nada como serem privatizados e quem quer lá pôr os filhos pagar o custo. se houver alguém interessado em pagar mensalidades correspondentes àquilo q o estado paga neste momento paga por aluno, ou seja, cerca de 2 mil euros. 
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    Jorge Cid 22.09.2013

    Li o artigo, percebei a posição da f. relativamente a estabelecimentos militares de ensino, e discordo. Não pretendo criar qualquer polémica sobre este assunto. No entanto, a f. poderá recolher informação e publicar, se lhe aprouver, sobre as poupanças, no curto e médio prazo, ao erário público resultantes da fusão, ou mesmo do hipotético encerramento, dos estabelecimentos militares de ensino. No entanto, para mim, o importante da questão prende-se com o valor de uma "Instituição". Outros, e bem, preocupam-se em preservar carvalhos com 200 anos...é assim, a vida é uma escolha...

     
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    f. 22.09.2013

    estou a ver: o jorge acha q s deve manter o colégio militar porq é antigo, e q para isso o estado deve pagar balúrdios para q meia dúzia d pais metam lá os filhos como noutro colégio privado qualquer, com a diferença d q este é incomparavelmente mais barato. suponho q mm q ñ tivesse alunos -- o q d resto é 1 dos motivos da intervenção governamental -- o colégio militar devia continuar a funcionar, c o professores e restantes mais de 2 centenas de funcionários a zelar por salas e camaratas vazias. é uma ideia gira. dava um belo documentário: o colégio fantasma.
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    Jorge Cid 22.09.2013

    portanto, as 2 centenas de funcionários vão para a rua, incluindo os militares, alguém fecha a porta dando duas voltas à fechadura, os cavalos vão para o matadoiro, a tralha para a feira da ladra e pronto...para demagogia já basta..
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    f. 22.09.2013

    o estado está a despedir milhares de professores e propõe-se despedir milhares d funcionários públicos. mas para manter um colégio de luxo com um rácio de funcionários aluno inferior a dois alunos por funcionário pode gastar o q for preciso. demagogia? creio q ñ conhece o significado da palavra. 
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    Jorge Cid 22.09.2013

    já há tanto tempo que existem relógios de quartzo a preço da pataca, que não se entende porque se gastam milhões na manutenção dos carrilhões do Convento de Mafra! 
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    f. 23.09.2013

    os carrilhões do convento de mafra são património nacional cuja conservação interessa a todos. pelo contrário, os colégios em causa, além de beneficiar só os que são luxuosamente subsidiados para lá andarem, não têm, como será óbvio para qq pessoa que não confunda os seus interesses e os da sua casta com os da comunidade, a menor possibilidade de equivalerem a monumento nacional. q patético.
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    Jorge Cid 26.09.2013

    entretanto, informo que o CM, o IO e o IMPE são património do Estado...

     
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