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jugular

o consultor, os crimes dele, o câmara corporativa, a calúnia e o pai dela

o fenómeno mais interessante nesta estória do consultor de comunicação que deu uma entrevista à visão a contar todo ufano como fez parte de um coio de malfeitores que criava perfis falsos para difundir calúnias e 'desinformação', que participava em foruns radiofónicos para boicotar os inimigos políticos com elogios exagerados e que de um modo geral se aplicava em fazer tudo o que uma pessoa que se crê de bem jamais fará, é sem dúvida o facto de praticamente toda a gente (desde o entrevistador) que se enoja publicamente com estas revelações e vitupera o tipo se apressar a reiterar uma única das coisas que ele diz: que pior, muito pior, eram os socialistas do sócras, nomeadamente esse pavor da bloga, o câmara corporativa, que, aliás, confessa o consultor, foi o 'modelo' das aleivosias confessadas.

 

vejamos: 'Através dos escritos deste blogue se ficava a saber o lado privado e obscuro da vida dos adversários políticos internos e externos do governo, as suas opiniões em matérias polémicas e se criavam personagens políticas. Ou seja, através de uma narrativa própria e por vezes dura, o Corporações explanava, provavelmente, aquilo que o governo e o seu líder queriam dizer mas não o podia fazer publicamente. Além disso, tinha acesso a fontes privilegiadas de informação e foi, inúmeras vezes, acusado de ter ao seu dispor meios e técnicas que só podiam existir fruto da utilização de ferramentas internas do governo – informação económica, clipping personalizado, dossiês técnicos de acesso reservado e até, segundo alguns dos seus detratores, informação vinda directamente dos Serviços de Informação do Estado.' (da dissertação de mestrado do consultor, sublinhados meus) 

 

não estou certa de qual terá sido o momento em que se começou a difundir a autorizadíssima teoria sobre os malefícios do cc e a sua 'utilização de fontes privilegiadas de informação' mais 'informação vinda directamente dos Serviços de Informação do Estado', mas creio não haver dúvidas sobre quem foi o seu principal difusor (e eventualmente criador): o nosso grande amigo pacheco.

 

aliás, o pacheco, que acorreu a saudar as revelações do consultor com aquela típica e humilde honestidade pachequiana do 'eu bem dizia, e como sempre eu era o único a dizer, e como sofri na minha solidão de arauto da verdade, etc', não perdeu tempo em sublinhar que 'O modelo foi a Câmara  Corporativa do PS de Sócrates.'

 

o cc e, naturalmente, os outros blogues da 'frente da calúnia', na qual incluia, num post de janeiro de 2010, o aspirina b e aqui o jugas (ao vosso serviço): 'Esses blogues, como o Câmara Corporativa, o Aspirina B, o Jugular, escritos muitas vezes sob o anonimato e onde pululam empregados do governo, e às vezes mais acima - o anonimato serve para ocultar os autores, mas o estilo denuncia-os –, representam um mundo aparte na blogosfera que revela as fontes do radicalismo que emana nos dias de hoje do centro do poder socialista à volta de Sócrates. Quem se mete com José Sócrates leva de imediato uma caterva de insultos, que inclui todos os clássicos e é sujeito a uma campanha ad hominem grosseira'. 

 

'um mundo aparte na blogosfera'. portanto parece que afinal não havia, em janeiro de 2010, quando o pacheco escreveu este belíssimo texto, nada que o distinto escriba identificasse como o supremo do mal na bloga (e no mundo mesmo), a não ser estes três blogues que apelida de 'socráticos': 'os blogues socráticos desenvolveram um estilo agressivo de insulto e calúnia pessoalizada, que não tem paralelo com qualquer outra área política.' 

 

claro que perante isto uma pessoa pensa, ah, caramba, e estamos a falar de quê? de que tipo de insultos, de que calúnias pessoalizadas? mas exemplos o pacheco não dá. o pacheco estava, como sempre esteve e estará, naturalmente isento de fazer prova do que diz. porque o que o pacheco diz é 'a verdade' e o termo calúnia, como é bom de ver, não se adequa a acusações infundamentadas do pacheco e apaniguados -- talvez seja oportuno lembrar aqui que janeiro de 2010 é depois de agosto de 2009, quando o público, a pouco mais de um mês das legislativas, noticiou que a presidência da república estava a ser escutada pelo governo, 'facto' que o pacheco e a sua amiga presidente do psd e candidata a pm manuela ferreira leite, mais o à época director do jornal, desfraldaram como prova comprovada da virulenta perigosidade anti-democrática do governo ps, acusando-o até, quando o dn publicou a evidência -- mails do público -- de que a 'notícia' partira do assessor de imprensa do pr, de usar o sis (ferreira leite disse-o mesmo num comício) para devassar a comunicação interna do jornal. será a este concluio criminoso de desinformação e propaganda entre jornalistas e interesses partidários que pacheco se refere quando escreve 'falta ir mais longe na relação com a comunicação social, embora haja já muitos jornalistas envolvidos directamente em operações de desinformação e combate político. Sem consequências, bem pelo contrário'? não deve ser, pois não?

 

pois. e portanto o pacheco corre agora a certificar, perante a entrevista do outro, que aquilo reitera tudo o que ele sempre disse, quando o que ele sempre disse, sem nunca apresentar qualquer prova disso, é que não havia nada na bloga como o horror dos 'blogues socráticos'? não faz mal. até porque, como comecei por constatar, não é só o pacheco. perante a prova (enfim, a imputação) de práticas de desinformação e calúnia reiterada por parte de bloggers do psd contra sócrates, o coro grego conclui, em guincho uníssono, que o pior de tudo foi mesmo o sócrates e o câmara corporativa.

 

provas? exemplos? não têm, não apresentam, não precisam. é a verdade, com maiúsculas. ainda e sempre. mas a calúnia, claro, mora, ontem, hoje e sempre, nos 'blogues socráticos'. é uma tautologia: se são socráticos são maus, se são maus são péssimos, se são péssimos são criminosos e têm de ser combatidos de todas as formas, inclusive as formas de combate criminosas que lhes imputamos, porque, claro, é pelo bem e eles são o mal.

 

claro que, escrevendo num dos blogues assim classificado, não sou fonte credível e devo ter, decerto, neste pequeno texto, caluniado a torto e a direito (é a minha natureza, com certeza). pelo que não deve servir de nada certificar que nunca li no cc um post que evidenciasse qualquer 'info privilegiada', quanto mais 'técnicas que só podiam existir fruto da utilização de ferramentas internas do governo – informação económica, clipping personalizado, dossiês técnicos de acesso reservado e até, segundo alguns dos seus detratores, informação vinda directamente dos Serviços de Informação do Estado'. mas admitindo que sou muito burra, além de horrivelmente tendenciosa, rogo a todos: apresentem lá uma prova, mesmo pequenina, daquilo que dão como certo. a não ser que queiram que, na minha capacidade de insultosa nojentinha ad hominem, tenha de concluir que toda a gente que repete isto é não só pouco séria como está a colaborar, sem pejo nem remorso, numa campanha de desinformação e calúnia que dura há anos e na qual o tal consultor que tanto aparentemente vos enoja é apenas vosso colega, e em muitos casos (sim, pacheco, é contigo, mas não só) apenas aprendiz. 

 

 

 

 

 

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