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Notícias da "transformação estrutural da economia"

O governo tem-se vangloriado muito da subida do peso das exportações no PIB, como se tratasse de uma espécie de prova definitiva da virtuosa transformação estrutural que a economia está a sofrer. Infelizmente, este aumento do peso das exportações no PIB em relação ao passado imediatamente pré-crise tem uma explicação muito simples, e que não é particularmente virtuosa: a queda do PIB.

O gráfico seguinte mostra bem esta situação. Para tal, dividi os últimos 9 anos em 3 periodos de 3 anos: os 3 anos antes do advento da crise internacional (2005-7); os 3 anos da crise (2008-10, de que constam um ano de queda brutal das exportações, 2009, e uma recuperação forte no ano seguinte); e os últimos 3 anos de "ajustamento" da economia nacional (2011-13). O periodo intermédio está como que entre parênteses, na medida em que é um periodo atípico de afundamento e recuperação imediata, com o peso das exportações no PIB a ser praticamente o mesmo no fim de 2007 e no fim de 2010. 

(para ver o gráfico no tamanho original clique aqui)

 

O gráfico mostra muito claramente que:

- o valor médio do crescimento das exportações é superior no periodo pré-crise internacional (2005-2007: 6,4%) ao periodo pós-crise (2011-13: 5,3%). Não há nada de excepcional no volume das exportações a partir de 2011. (ignoremos aqui que cerca de 40% das exportações em 2013 são explicados pela entrada em funcionamento da refinaria de Sines, e que sem estas as exportações estariam a crescer marginalmente acima dos 2,5%)

- as exportações só aumentaram o seu peso no PIB porque o PIB cresceu no primeiro triénio (1,5%/ano) e caiu no último (-2,1%/ano).

- o crescimento do peso das exportações no PIB já era visível no primeiro triénio (subiu 4,4 p.p., de 28,1% para 32,5%), e isto foi conseguido com o produto a crescer num período de consolidação orçamental, em que o país estava sob um Procedimento por Défice Excessivo da Comissão;

- se no triénio 2011-13 o país tivesse crescido à média de 1,5%/ano (como no triénio 2005-7), o ritmo de subida do peso das exportações no PIB teria sido mais lento em comparação com o progresso feito entre 2005-7.

 

Para além do mais, como os dados do INE têm mostrado, quando o país volta a crescer (como tem acontecido em cadeia em dois trimestres em 2013), a procura externa líquida ou reduz-se fortemente (como no segundo trimestre), ou passa mesmo a ser negativa (como no terceiro trimestre). O Governo veio congratular-se com dados de um crescimento ténue que, na prática, repete o padrão do passado. Não há aqui nada que valide a sua estratégia económica.  

Quanto aos dados do BdP divulgados hoje, e que estimam uma recessão menor para 2013 do que anteriormente prevista, o governo também não tem qualquer motivo para afirmar que a sua estratégia está, finlamente, a dar resultados: o BdP estima que a economia caia 1,5% e não 1,6% porque, resumindo, o consumo público vai cair menos do que era estimado no Boletim de Outono (-1,5% e não -2%), e o consumo privado (induzido, digo eu, pela não tão intensa queda de rendimentos que resulta do abrandamento da redução do consumo público) também cai menos (-2 e não -2,2%). Basicamente, a recessão será menor porque a austeridade será menor (do que o previsto), cortesia do acórdão do Tribunal Constitucional de abril passado que repôs salários e pensões.

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