Nós e o futebol alemão
Numa antevisão do Espanha-Alemanha do passado domingo, um jornalista do Público recuperou para título da sua peça o célebre obiter dicta de Gabriel Alves: "A força da técnica contra a técnica da força."Para ele, como para a maioria dos portugueses, é preciso técnica para fazer um drible ou um centro de trivela, mas não para fazer um passe certeiro a trinta metros de distância ou para rematar com força ao ângulo da baliza.
A nossa quase universal detestação do futebol alemão é um sintoma insofismável do apreço pela incompetência com que encaramos qualquer actividade profissional.
A fantasia e a improvisação são extremamente valorizadas porque, no fundo, ninguém sabe o que anda a fazer, sendo muito comum as pessoas não dominarem as ferramentas essenciais do seu ofício. Daí a necessidade de inventar.
Os futebolistas alemães sabem que só precisa de inventar continuamente jogadas novas quem nunca se maçou a treinar a sua proficiência nas antigas. Sabem também que a criatividade produz melhores resultados quando devidamente enquadrada numa organização que funciona.
É assim que funciona o jazz, sabiam?

