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Ideologias de género segundo a ICAR

Depois de ler  um artigo sobre mais uma diatribe de  Hugo Chávez, que decidiu não participar na XVII Cúpula Ibero-Americana que se realizará entre dias 29 e 31 de Outubro em San Salvador, resolvi investigar exactamente de que tratava a dita para tentar perceber se era mesmo a sua segurança pessoal o que preocupava o presidente venezuelano.

O tema central agendado, a juventude ibero-americana, pareceu-me completamente inócuo embora o pedido de Michelle Bachelet para que fosse discutida a crise financeira actual  tenha encontrado eco em outros dirigentes e a estes dois temas juntou-se ainda à mesa de discussão as políticas de emigração europeias.

No meio da pesquisa deparei com um documento insólito que depois de confirmado nas mais altas instâncias se revelou ainda mais bizarro. Parece que nesta altura de crise a cimeira causa palpitações nas hierarquias católicas locais, cujo grande problema reside na possibilidade de na cimeira serem abordados temas como a contracepção, aborto ou homossexualidade. De acordo com a delegação local da ICAR, a declaração a ser assinada obriga os signatários a subscrever nove pontos em que se inclui o «Adolescentes e jovens saudáveis» que, horror dos horrores, recomenda programas de educação sexual e  «medidas tendientes a prevenir 'las enfermedades de transmisión sexual y los embarazos no deseados'».

Ora isto é algo completamente inadmissível para Lacalle, o Opus Dei responsável pela existência em terras de El Salvador de inspectores forenses da vagina - que confirmam que nenhuma salvadorenha, mesmo em risco de vida devido a, por exemplo, uma gravidez ectópica, tem a veleidade de abortar . Embora El Salvador já tenha informado que não assinará o documento que colide com a Constituição e com a moral católica, o preocupado Lacalle  veiculou as suas preocupações via Zenit. Esta  explica que tal abominação, a  história dos «Adolescentes e jovens saudáveis», « imporá o aborto, o ‘direito’ à autodeterminação sexual e a ideologia de género, entre outras coisas, às nações do continente».

 

Fiquei logo baralhada com esta história da imposição do direito à autodeterminação sexual - não faço a mínima ideia como se impõe um direito a alguém -, continuei baralhada com  o acrescento da Fides de que  «O projecto foi qualificado por muitas organizações de pais de família como ‘anti-vida e anti-família’»  mas o que me arrumou às boxes foi a tal história da  ideologia de género.

Descobri que a coisa pôs recentemente em alvoroço o movimento cívico cristão «As Mães Têm Voz» no Equador que marcharam contra a imposição da dita nas escolas do país de barriga em riste para evitar que «agressivos simpatizantes da ideologia de gênero que as ofendam física ou verbalmente, ‘limitando seu direito constitucional à liberdade de expressão’». Mas só fui esclarecida das minhas dúvidas pela  Veritatis Splendor que traduziu a pérola debitada sobre o tema pela Conferência Episcopal Peruana e pelas Comissões Ad-Hoc da Mulher e Episcopal do Apostolado Leigo.

O documento, que alerta sobre os perigos da coisa, devota um míseros parágrafos a deplorar esta mania de pensar « que homens e mulheres heterossexuais, os homossexuais, as lésbicas e os bissexuais sejam apenas modos de comportamento sexual produto da escolha de cada pessoa, liberdade que todos os demais devem respeitar

Mas a maior parte do documento, dedicado a algo que nunca ouvira falar, o «feminismo de género», carpe essencialmente o facto de ter falhado na IV Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim a pressão política do Vaticano  e dos seus poucos aliados - os fundamentalistas islâmicos, Malta e alguns países latinoamericanos. Os muitos esforços envidados pela delegação católica  não foram impeditivos de que se alcançasse o consenso necessário à aprovação da Plataforma de Acção em pontos fundamentais à vida das mulheres, nomeadamente no que diz respeito à universalidade dos direitos humanos, mais especificamente dos direitos humanos das mulheres que incluem os direitos reprodutivos.

Pelo que se percebe do documento, que afirma que este «'feminismo do género' teve uma forte presença na Conferência de Pequim», a coisa parece ser então o reconhecimento à mulher de direitos reprodutivos, isto é, o acesso a contracepção, impressão que se confirma com o esclarecedor comunicado  da arquidiocese de Tegucigalpa sobre os mesmos «Adolescentes e jovens saudáveis» de que irá tratar a cimeira.

Os bispos das Honduras garantem que não se pode deixar que «os jovens decidam sobre sua vida sexual e sua maternidade, assim como "não se pode conceber a vida sexual completamente separada do ato reprodutivo, fomentando o uso de todo tipo de métodos para não engravidar, promovendo uma espécie de libertinagem sexual'». 

«"Há vários anos estamos escutando a famosa expressão ‘saúde sexual reprodutiva’ e a ‘ideologia de gênero’, e já comprovamos que por trás destas expressões subliminares o que se esconde é um profundo desejo de legalizar o aborto, as pílulas anticoncepcionais, a proliferação da homossexualidade, as esterilizações e demais métodos artificiais e criminosos de controle da natalidade", dizem com energia os pastores de Tegucigalpa.»

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