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A Saga das Mulheres Afegãs

Há uns tempos assisti a um programa do Canal de História, Afeganistão, O Legado Da Guerra, que retratava ao longo de mais de uma década os horrores de uma guerra que massacra os afegãos há quasi três vezes esse tempo. A guerra que começou política, depois da saída da União Soviética do país em 1989 transformou-se numa guerra religiosa entre os fanáticos wahabitas conhecidos como talibãs e a coligação de mujahidin comandados por Ahmed Shah Massoud, que figurou proeminentemente no documentário. 

A guerra religiosa foi dirigida especialmente às mulheres que, sob o regime talibã, se tornaram verdadeiras reféns nas suas próprias casas, proibidas de estudar, trabalhar, sair sem companhia de um familiar masculino, destituidas dos mais elementares direitos e de qualquer vestígio de dignidade.

A queda dos talibãs em finais de 2001 não foi seguida por uma alteração da condição feminina no Afeganistão, embora  a Constituição afegã de 2004 afirme a igualdade de direitos de homens e mulheres.

Na prática, os talibans continuam a ter um peso pernicioso na sociedade afegã e os seus métodos não se alteraram nos últimos anos, ou seja, continuam a considerar-se divinamente justificados para impor as suas aberrantes «verdades absolutas» sobre todos e em especial sobre as mulheres,  assassinando ou tentando assassinar aquelas que, como Shaima Rezayee ou Malalai Joya, se atrevem a desafiar as regras «divinas».

Algo que os fundamentalistas consideram especialmente blasfemo é a educação e especialmente blasfemo educar membros do sexo feminino, e por isso se devotam a assassinar professores de escolas em que são aceites raparigas. O documentário a que assisti e os testemunhos recolhidos por um jornalista do Guardian em 2006 indicavam que a esmagadora maioria da população não só queria ver as suas filhas educadas como gostaria de se ver livre dos talibans. Mas as tácticas de terror destes estavam a resultar. Nabi Khushal, o director de educação em Zabul, afirmou à Associated Press que tinham fechado por motivos de segurança 100 das 170 escolas da província e que apenas 8% dos alunos são raparigas.

Os extremos que a demência religiosa pode atingir eram até hoje ilustrados por Malim Abdul Habib, o director de uma destas escolas, que, infâmia das infâmias, se atrevia, apesar dos «avisos», a ensinar raparigas. O professor  foi arrastado do interior para o pátio de sua casa em Qalat, a capital da província de Zabul e, perante os olhos da sua família, forçada pelos fanáticos a assistir, foi decapitado pelos defensores da pureza da fé wahabita.

Este ataque cobarde a quinze estudantes da Mirwais Nika Girls High School em Kandahar mostra bem que no Afeganistão, as mulheres continuam reféns da religião e dos talibãs que a impõem...

2 comentários

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    Shyznogud 13.11.2008

    bem visto, roza.
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