Faltas, manifs e sensatez
Quando se entra no desvairo de fazer uma amálgama de tudo e mais um par de botas o normal é que saia asneira. Ainda me lembro da escandaleira que, há uns meses, atravessou a blogosfera aquando da discussão sobre o novo estatuto do aluno, em especial do regime de faltas. Que era uma vergonha, o facilitismo de já não se chumbar por faltas, etc., etc... A discussão varreu a blogosfera mas não só, em todos os meios de comunicação se falou do tema, de novo com a conversa do facilitismo a encher a boca de toda a gente, e as bicadas foram devidamente aproveitadas pelos grandes críticos da escola pública. E, de repente, o regime de faltas do novo estatuto do aluno volta à ribalta noticiosa, fruto das manifestações de estudantes que o têm contestado, mas agora a conversa já não vem acompanhada da palavra facilitismo e sim do escândalo que é deixar de se poder faltar às aulas "mesmo por doença". Que os meus filhos adolescentes tenham este discurso até me parece normal (qual de nós não se pelava por uma balda sem consequências quando era adolescente?), já não é muito normal que adultos sensatos e responsáveis os acompanhem na conversa, chegando a invocar-se a "defesa dos direitos dos alunos". O que diz o novo estatuto dos alunos? Que quem falta às aulas terá que provar que a falta - justificada ou não - não interferiu na sua progressão de aprendizagem e que, caso isso tenha acontecido, esse aluno, entre outras medidas possíveis,merecerá da escola um plano de recuperação. Parece-me um regime de faltas sensato ou então estou a ver muito mal o filme.

