Estudantes na rua...em Itália
Há mais de um mês que os estudantes italianos, do ensino primário ao universitário, se manifestam nas ruas contra a reforma da «beata» Mariastella Gelmini.
A lei 133, aprovada no senado italiano em 29 de Outubro, prevê um corte orçamental para a escola pública de 8 mil milhões de euros - 1.4 mil milhões de euros apenas para o ensino superior e investigação científica.
No dia 30 de Outubro, mais de 1 milhão de pessoas manifestaram-se apenas em Roma contra a reforma Gelmini, embora ao Corriere della Sera a ministra tenha declarado que «aqueles que protestam» contra a sua reforma são apenas «alguns milhares» e «as faculdades ocupadas são pouquíssimas».
Na realidade, a recusa da reforma do sistema de educação é de tal forma alargada que nas manifestações de 30 de Outubro marcharam lado a lado, organizações estudantis de todo o espectro político (incluíndo a extrema-direita) e grupos católicos . «Assim se destrói a escola pública para substituí-la pela privada» foi o lema que os uniu.
Embora os cortes (e os protestos) se mantenham, a ministra já retrocedeu na suposta reforma do ensino universitário, uma alteração nas regras dos concorsi que não reforma nada apenas atrasa o processo de admissão de novos docentes. A necessária autonomia que acabaria com estes obsoletos concursos nacionais foi aliás tema do editorial da última Nature. Como termina este editorial: «reforms need to be done with a strong, knowledgeable and clever hand — something that Gelmini has so far failed to provide».

