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Timberland

 

Fim-de-semana na Madeira. Tinha imaginado um post sarcástico sobre estar numa terra onde o líder regional diz não existirem pessoas como eu e o meu companheiro - a quem, mesmo que quisesse, não poderia legitimamente chamar meu marido porque na lei da “república”, e não só na da região, não… existimos.

 

Só que isto aqui é tão balsâmico, como se dizia antigamente, que uma pessoa perde a vontade de ser mázinha. Razões não faltavam: não é que, segundo o Público de hoje, a assembleia madeirense vai gastar mais 7 milhões de euros do que a açoreana, tendo menos deputados e sendo o território constituído por 2 e não 9 ilhas? Só que da “república” vêm notícias bem mais chorudas, como o arrestamento (eu sei, mas gosto da expressão) de Oliveira e Costa e o regresso  de Dias Loureiro ao vaudeville nacional. Yummy!

 

Mas a leitura de uma entrevista a Miguel Esteves Cardoso na Ler deixou-me atrapalhado. Diz ele que não vê TVs portuguesas para não perder a sua paixão por Portugal. Diz achar detestável a queixa constante sobre a “choldra” nacional. Diz preferir prestar atenção ao que em Portugal é “eterno” para não perder o seu amor. Posto isto eu poderia retorquir com uma desmontagem dessa coisa do “eterno” e do nacionalismo poético à Pascoaes e Heróis do Mar… Mas não: também eu me aborreço com a queixa e o bota-abaixismo, e aborreço-me sobretudo por participar disso. Mas será a alternativa a atenção à “eternidade”?

 

Por mim prefiro outras, que gostaria de começar a exercitar depois de uma qualquer decisão de Ano Novo que me desintoxicasse do vício de gozar com a mátria. Mas quais? Uma hipótese é a via mais “etnográfica”, isto é, prestar atenção à vida tal qual ela é vivida e “dita” pelas pessoas, a montante e a jusante de qualquer juízo de valor ou interpretação. Um bocadinho aborrecida. Outra é radicalmente cosmopolita - olhar para o que nos rodeia como sendo estrangeiro. Um bocadinho irrealista. Outra é apostar na exigência republicana, ou democrática, ou cidadã, sem ter que falar, para isso, dos defeitos do modus vivendi local. Um bocadinho fria. Não sei que faça: o MEC tem razão, só que a aspirina dele não é o meu tipo de droga… (clonado)

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