Noutra ocasião, em que o Cardeal Patriarca tinha proferido declarações no mínimo infelizes, escrevi "Discursos como este - em que a dicotomia "nós" vs. "outro" são tão assumidos e convictos - potenciam reforços identitários (quer de "nós" quer do "outro") com muito de artificial que se transformam num caldo perigoso.". Parece-me que o mesmo se aplica agora
Adenda a meio do dia: houve desenvolvimentos na história. Vejam quais no Activismo de Sofá.
4 comentários
viana 14.01.2009 11:55
Experimente, HélderEga, imaginar que um "ocidental" casa com uma mulher muçulmana praticante, a qual prefere vestir-se de modo modesto, colocando sempre um lenço sobre os cabelos e usando roupas largas que lhe escondem a silhueta do corpo. Agora imagine esse "ocidental" a apresentar a mulher à família e aos amigos, à sociedade em geral. Suponho que consegue, espero que não esteja a pedir-lhe algo demasiado difícil, imaginar as pressões que essa muçulmana iria sofrer para abandonar aquilo em que, mal ou bem, acredita. Tão tolerantes que somos... A pressão ou intolerância cultural existe em todo lado, muitas vezes não tem nada a ver com a religião, e frequentemente actua a um nível sub-reptício. Só não vê quem não quer, ou não tem capacidade para tal.
Eu não falo de "pressões sub-reptícias" do tipo: "a tua nora é uma desavergonhada, se fosse comigo..." Estava a pensar mais em cargas de porrada, proibição de estar na mesma divisão em que estão homens não familiares, de sair à rua, conduzir e outras "modernices" ocidentais. Não nego que a mulher do seu exemplo sofresse pressões, também dependeria do meio social e familiar em que estivesse. Mas comparar essas pressões com o que se passa na esmagadora dos países muçulmanos é um pouco forçado.
Está claramente muito bem informado sobre o que acontece à maioria das mulheres (muçulmanas ou de outra religião) na esmagadora maioria dos "países muçulmanos".... Tomara eu ter acesso a essa informação. Faz o obséquio de me indicar onde a posso encontrar? Ou resulta de observação in loco?... Suponho que está consciente de que muitos tratos culturais duma sociedade nada têm a ver com a religião predominante nessa sociedade. Há apenas algumas décadas atrás era muito comum no interior de Portugal as mulheres taparem os cabelos em público, e serem proibidas de estarem sozinhas com homens que não familiares. Será que eram todas muçulmanas?! Será que os seus descendentes andam agora por aí disfarçados, prontos para tomar o Poder quando o Sinal vier?...