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A última jacquerie

O caso (chamemos-lhe assim) do terminal de contentores de Alcântara pode com vantagem ser decomposto em, pelo menos, seis temas distintos:

1. A relação entre a cidade e o rio.

2. A relação entre a Administração do Porto de Lisboa e a Câmara.

3. O plano de expansão do Porto de Lisboa.

4. A localização do terminal de contentores.

5. O prolongamento da concessão sem concurso.

6. A eventual influência política do actual Presidente da Mota-Engil na decisão.

Na minha maneira de ver, a polémica que envolve 1 é uma tolice, o mesmo se podendo dizer, ou quase, de 2. Quanto a 3 e 4, trata-se de questões técnico-económicas sobre as quais os opinantes tudo ignoram, mas apenas porque não querem saber. Inquirir sobre 5 e 6, em contrapartida, faz todo o sentido, embora não possamos ignorar que, para muitos, o julgamento estará feito, de nada importando o que se vier a apurar.

Misturar muitos assuntos no mesmo saco é uma técnica de argumentação com duas vantagens para os pescadores de águas turvas: a) dificulta a discussão, visto que permite aos críticos saltarem constantemente de um tema para outro; b) alarga o número de potenciais aderentes à coligação negativa.

A concluir, não posso deixar de felicitar os entusiastas militantes desta fronda pela qualidade do líder que nesta ocasião conseguiram.

Não se esqueçam, porém, que para além dos contentores, Miguel Sousa Tavares também embirra, entre outras coisas, com as celuloses e com o turismo. Vendo bem, não me recordo de nenhuma actividade económica que ele aprecie.

 

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