A fome de poder não se treina
Por sorte, a importância que este país dá às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa é dificilmente convertível num daqueles parâmetros que a The Economist gosta de usar para classificar as nações. Foi já o eco radiofónico da voz televisionada de Marcelo que me chegou ao ouvido, primeiro às oito da manhã e depois ao meio-dia (estou acamado). Dizia Marcelo, não sei se por candura ou se por cinismo, que Manuela Ferreira Leite deve mudar de conselheiros. Isto é um pouco como alguém, nos idos de 70, sugerir a Lennon que Yoko Ono mude de professor de técnica vocal. Pior: é ignorar que algumas das sound bites mais recentes de Ferreira Leite ("o coveiro da pátria...") eram já a reorientação possível para quem, na verdade, não tem sede de poder. Ora, não se chega ao poder com simples desejo de servir a causa pública. Se Sócrates resiste a duas semanas de Freeport, parece óbvio que o PSD só pode vencer (ou aproximar-se) com alguém que jogue com os mesmos trunfos do socialista. Pedro Passos Coelho, obviamente. Não sei se isto é bom para os portugueses e para Portugal, mas é assim que o mundo funciona.

