Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

jugular

Da "lógica" como hiper-racionalidade perversa

Os blogs e opinadores que são contra o acesso ao casamento civil por parte de casais de pessoas do mesmo sexo adoram usar o argumento de que tal mudança implicaria logicamente a permissão do casamento incestuoso e poligâmico.  Acontece que o "argumento", que apela à lógica, é bem fraco nesse plano - já para não dizer que as transformações políticas e as garantias dos direitos não decorrem exclusivamente ou sequer principalmente da lógica. O "argumento" prossegue a mesmíssima "lógica" do mais radical reaccionarismo homofóbico, o mesmo que associa a igualdade no acesso ao casamento civil ao suposto perigo do slippery slope que conduziria não só ao casamento poligâmico e incestuoso, como ao casamento com... animais (ouvi esse argumento a fundamentalistas evangélicos nos EUA e a ultramontanos da extrema-direita espanhola). A lógica - como a retórica - dão para tudo. Hitler também era, em rigor, bastante "lógico" no seu arianismo e no seu nacional-socialismo : por isso não só os judeus foram vítimas dos massacres, mas também os comunistas, os deficientes, os ciganos e os homossexuais. Não consta que "os polígamos" e "os incestuosos", essas não-categorias-identitárias-historicamente-discriminadas, existissem enquanto identidades sociais e fossem por isso encaminhados para os campos. No "argumento" não há nada de lógico nem precisa de haver - o seu único propósito é ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e não o de ser a favor de uma transformação maior do casamento.

 

P.S.: Tem sido muito citado um texto (que não linko, e assumo que isso possa ser pouco ético...) que foi certamente (e à semelhança de casos anteriores) escrito com uma motivação pessoal - um conflito grave que opõe o autor a mim próprio, logo ao meu protagonismo nesta causa.... Não se trata de me auto-conferir mais importância do que tenho; trata-se de saber, infelizmente por experiência com esta pessoa, como funcionam as mentes perversas.

35 comentários

Comentar post

Arquivo

Isabel Moreira

Ana Vidigal
Irene Pimentel
Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Links

blogs

media