Yes, we can!
Há oito anos por volta desta data estava eu na soalheira Califórnia com uma Rebecca, uma das minhas colegas de laboratório com quem partilhava uma vivenda na praia, em estado de angústia total. A Becky fora voluntária na campanha de Al Gore, campanha que a mim, especialmente após os debates, parecia tão pacífica como indicavam todas as sondagens: Gore iria ser o próximo presidente dos Estados Unidos. A Rebecca estava muito preocupada com a afluência às urnas, especialmente das camadas mais jovens - que pouco participaram como na altura nos indicou umas voltas pela UCSD -, dizia ela que os fundamentalistas iriam religiosamente votar e que uma baixa participação seria um muito mau prenúncio. A história confirmou os receios da Becky, cuja angústia se prolongou por cerca de um mês enquanto se recontavam e descontavam chads grávidos na Flórida.
As notícias que desta vez vamos acompanhando de lados opostos do Atlântico (a Becky está agora em Providence), são bastante animadoras: a afluência às urnas tem sido esmagadora e não são apenas as mesas de votos nas Universidades, como no vídeo, que antes da abertura das urnas já exibiam longas filas de expectantes votantes. Pelo que tenho lido e me têm dito, estas eleições vão fazer história também pela participação. E penso não me enganar quando prevejo que a vitória de Obama vai ser muito mais expressiva do que as últimas sondagens indicam, não só no voto popular mas no colégio eleitoral. Não me surpreenderia mesmo nada que Obama tivesse acima de 400 votos eleitorais.

