Os amanhãs que cantam não são uma opção; são uma necessidade.
O debate que opõe estado e mercado é redutor e, na maioria dos casos, pouco ou nada interessante, senão mesmo irrelevante. Dizer que o estado tem falhas serve de pouco e não nos diz muita coisa. E as críticas, por si só, e por mais demolidoras que sejam, estão longe de legitimar o mercado, sobretudo se o segundo for entendido como uma realidade alternativa ao primeiro. Parte do nosso infortúnio passa por se continuar a pensar exclusivamente nestes termos: as visões dicotómicas (e absolutistas) lidam mal com compromissos; e não são criativas. A questão mais importante não é o estado ser burocrático, pesado ou incompetente. O que interessa é que, independentemente daquilo que dizemos do estado actual, nós precisamos do estado. E é por isso mesmo que precisamos que ele seja melhor do que hoje é. Não necessariamente menor ou maior; melhor. E isto não é uma opção; é uma necessidade.

