Eu e os meus botões
A propósito deste post da Inês e da respectiva discussão na caixa de comentários parece-me que vale a pena sumariar duas ou três reflexões.
1. Eis o exemplo do aproveitamento de uma situação infeliz e grave para apedrejar a necessidade de melhorar a educação sexual em meio escolar.
2. Há uns tempos foram uns adolescentes parvos e mal educados a usar o telemóvel para filmarem cenas tristes. Agora as filmagens foram a mando dos progenitores. Que diabo de coerência é esta? Onde fica a autoridade e a ética dos adultos?
3. Os elementos assim recolhidos servem de prova na queixa que alegadamente foi feita ao DIAP? Se sim, é curioso que material reunido de modo menos sub-reptício não sirva, por exemplo, em sede de Tribunal de Família.
4. Que esta mulher não pode ter turmas a cargo porque não está capaz de leccionar, pelo menos nestas condições psicopatológicas, é claro. Mas a ser verdade que há pelo menos três anos a senhora dava mostras de alguma perturbação é lícito questionar porque é que ninguém actuou antes.
5. Escrevia André Macedo no editorial do i de ontem, "O disparate é evidente, como também é óbvia a impossibilidade de evitar casos deste género. Disto tudo, é fundamental deixar claro que os professores devem ser como os médicos. Um médico doente não pode operar; um professor deprimido não pode ensinar". Completamente impossíveis de evitar estas situações são, mas que se pode tentar obviá-las pode. E quanto às profissões e às doenças, não concordando ipsis verbis com o que está escrito percebo a ideia que o André Macedo quis passar. God, o que eu gostava de poder concordar que estas coisas só acontecem com os professores e não com os médicos...

