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Ondas sísmicas na Venezuela

Os Repórteres sem Fronteiras publicaram ontem uma carta aberta a Hugo Chávez que interroga as razões da perseguição do presidente da Venezuela à única rede de televisão que é crítica da sua actuação.

 

Na quinta-feira, dia em que teve ínício a maratona televisiva de 4 dias que assinala os 10 anos do programa «Alo Presidente», Chávez dirigiu-se  ao ministro venezuelano das Obras Públicas e Habitação, Diosdado Cabello, que também dirige a Conatel, o órgão que supervisiona os media, instando-o para que «Faça o que tem que fazer», isto é, encerre a «terrorista» Globovisión.

 

Chávez endereçou igualmente recados  à procuradora geral, Luisa Ortega, e à presidente do Supremo Tribunal, Luisa Estella Morales, para que «cumpram com as suas obrigações para com o povo», dizendo que «É para isso que estão aqui. Se não quiserem fazer o vosso trabalho, renunciem, e deixem pessoas com coragem assumirem os vossos cargos». O presidente disse ainda que, se for necessário - ou seja, se a televisão não for rapidamente encerrada -  cuidará pessoalmente do caso para «suprir as deficiências» da Justiça, recordando aos proprietários, que qualificou de «terroristas», que cabe ao Estado conceder ou retirar as licenças de transmissão.

 

Imediatamente após Chávez ter encerrado a maior e mais antiga televisão venezuelana, a Radio Caracas Televisión (RCTV), em Maio de 2007, o presidente venezuelano iniciou a sua campanha contra a rede agora sob fogo, que acusou ser dirigida por «inimigos da terra mãe» envolvidos num «plano vasto de destabilização». A desculpa na altura, traduzida numa acusação de «incitamento à violência», foi um programa da  Globovisión sobre  João Paulo II e a tentativa de assassínio de que foi alvo em 1981. 

 

O tom de Chávez contra a Globovisión tem subido nas últimas semanas, em particular após a cobertura que o canal fez do sismo que abalou a região central do país no dia 4 de Maio, informação essa que foi para o ar antes de qualquer divulgação do governo.  O presidente exigiu imediatamente sanções contra a Globovision afirmando que  «não tolerará mais o terrorismo mediático dos canais privados» que se devotam a espalhar  pânico e ansiedade entre a população.

 

Federico Ravell, o director da Globovisión, obteve os detalhes do tremor de terra do U.S. Geological Survey e divulgou os dados obtidos apelando à calma da população e simultaneamente acusando o governo de resposta lenta ao sismo de grau 5.5 da escala Richter.  Para além de Chávez, o ministro dos Negócios Estrangeiros foi igualmente célere nas acusações contra «os racistas que odeiam os pobres» e «tentam sufocar as instituições do estado», dizendo que a cobertura do sismo «foi reles e violou os direitos dos venezuelanos».  Por isso, a Conatel investiga a rede acusada de «terrorismo psicológico» e  de violar a lei que impede «a difusão de mensagens provocando, apoiando ou incitando distúrbios da ordem pública».

 

Entretanto uma propriedade do presidente da televisão privada, que é dono de duas concessionárias da Toyota, a Toyosan e a Toyoclub, foi alvo de um raid da polícia secreta venezuelana por, como afirmou Chávez, nesse local existir  «um bom número de veículos novos (surpreendentemente da marca Toyota), cuja origem deve ser explicada». De acordo Núñez «todos veículos têm certificados de origem e títulos de propriedade», embora  isso não obste a que o Ministério Público venezuelano o tenha citado por «posse irregular». De acordo com os promotores Pascualino Salemi e Espartaco Rodríguez, o empresário foi citado já para o dia 4 de Junho, às 9h. Resta pois celebrar a celeridade da Justiça na Venezuela ....

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