Não consigo encontrar a crónica dominical do provedor do Público, estranhamente se pensarmos que as opinações de fim-de-semana de Vasco Pulido Valente, normalmente reservadas a assinantes, nos foram «graciosamente» oferecidas e destacadas na primeira página do online.
«Para Joaquim Vieira, "isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles (...) permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?"
O provedor diz na sua crónica que "as explicações" para as suspeições da Presidência da República de que haveria escutas da responsabilidade do Governo "eram grotescas (...) mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO".
Mais adiante na sua análise, Joaquim Vieira sustenta que, depois da primeira manchete do Público - que deu conta das suspeitas da Presidência 17 meses depois da data do e-mail divulgado na sexta-feira passada pelo DN - e face ao silêncio de Cavaco Silva e do primeiro-ministro, "o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio PR com as suas responsabilidades políticas na matéria".
Referindo-se ao momento em que o Público finalmente teve uma reacção do PR - que pedia que não houvesse desvios em relação aos "problemas do país" - Joaquim Vieira questiona: "como pode o PR fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento?"
Então em Agosto, o Público, como confirma o seu provedor, sem qualquer «indício palpável», lança duas manchetes completamente infundadas sobre as alegadas escutas à presidência, e no jamais falam .... em jornalismo tendencioso no DN??? Pior ainda, há pedacinho, Paulo Rangel ululou sobre ... a campanha «chavista» de Sócrates contra o Público, carpindo que «O primeiro-ministro ontem fez um ataque ao director do Público absolutamente inacreditável». Esta gente perdeu toda a noção da realidade?
Foi com espanto que, no passado fim-de-semana, pude ler o comunicado da Presidência da República sobre o caso BPN. Como a generalidade dos comentadores logo apontou, o comunicado é um perfeito despropósito. Ninguém, no seu perfeito juízo, se lembraria de apontar o dedo a Cavaco Silva - o homem terá alguns defeitos (não sabe comer bolo-rei, por exemplo), mas está acima de toda a suspeita.
No país onde não há fumo sem fogo, Cavaco Silva veio levantar uma lebre que estava muito bem na moita de onde foi enxotada. Deu explicações sobre a sua vida pessoal que não tinha que dar, meteu-se num assunto em relação ao qual, pelo menos publicamente, tinha o dever de se manter alheio.
O pretexto, então, é completamente ridiculo: "Nos últimos dias, detectou a Presidência da República, face a contactos estabelecidos por jornalistas, tentativas de associar o nome do Presidente da República à situação do Banco Português de Negócios (BPN).
Não podendo o Presidente da República tolerar a continuação de mentiras e insinuações visando pôr em causa o seu bom nome, esclarece-se o seguinte: (...)"
Mas agora o Presidente da República organiza a sua agenda política de acordo com o que corre nos mentideros? Ou bastará um jornalista atirar o barro à parede que temos logo o presidente a lançar desmentidos? Tentativas de o associar à situação do BPN? Mas quem, quando, onde, como?
Uma última nota para referir que também as declarações de hoje pecam por pouco avisadas - mais uma vez o Presidente devia ter-se limitado a ficar calado.